Cristãos sudaneses estão apelando aos Estados Unidos para que mantenham a negativa de visto ao líder das Forças Armadas do Sudão (SAF) em meio às discussões sobre um plano de cessar-fogo, segundo informações recebidas pela Portas Abertas.
O líder do Conselho de Transição do Sudão, Abdel Fattah al-Burhan Abdelrahman al-Burhan, foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para discursar na Assembleia Geral.
Entretanto, a agência Reuters divulgou que os Estados Unidos estariam retendo a emissão do visto para Abdel Fattah al-Burhan Abdelrahman al-Burhan, poucos dias antes de sua participação prevista no evento. Vale ressaltar que ele também ocupa o cargo de comandante-chefe das Forças Armadas Sudanesas.
Por que esta escolha representa perigo aos cristãos no Sudão?
A porta-voz da Portas Abertas para a África Subsaariana, Jo Newhouse (pseudônimo), afirmou:
“Trata-se de uma disputa de poder entre dois grupos: as Forças de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas Sudanesas (SAF). Nenhum deles representa os civis do Sudão.
Os líderes cristãos com quem conversamos no Sudão são claros ao afirmar que nem a SAF nem a RSF possuem legitimidade para representar o país. Qualquer legitimidade terminou após o golpe.
A legitimidade pertence aos civis e ao povo sudanês, que clama por paz.
Nenhuma das partes em conflito deve receber qualquer sinal de que possui legitimidade agora ou que poderá reivindicá-la no futuro do país.
O futuro do Sudão não pode ser decidido apenas por atores armados ou políticos.
Igrejas, outras comunidades religiosas, organizações da sociedade civil, mulheres, jovens e pessoas deslocadas devem ter uma voz significativa nos processos de paz, reconciliação e reconstrução do Sudão.”
Tanto a RSF quanto a SAF foram apontadas por organizações internacionais de monitoramento dos direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR), em graves violações do direito internacional humanitário e crimes de guerra durante a guerra civil, que teve início em 2023.

A Anistia Internacional também documentou atrocidades atribuídas à RSF, incluindo assassinatos em massa direcionados a grupos étnicos específicos, violência sexual generalizada e táticas de cerco consideradas crimes de guerra, além de crimes contra a humanidade e limpeza étnica (remoção forçada de uma população de determinado território por razões étnicas).
O impacto no Sudão sobre a discussão da Paz
De acordo com a ONU, a população sudanesa enfrenta atualmente a pior crise humanitária e o maior deslocamento populacional do mundo.
Jo Newhouse acrescentou:
“Recebemos com satisfação toda mensagem em favor da paz e da unidade nacional. No entanto, o Sudão precisa agora de ações concretas: proteção dos civis, acesso humanitário, respeito à liberdade religiosa, apoio às comunidades deslocadas e um caminho genuíno rumo a um Sudão inclusivo e pacífico.
Nenhuma das partes em conflito demonstra disposição para garantir os direitos dos cristãos.
Se este cessar-fogo avançar, será o 46º acordo de paz firmado no Sudão. As pessoas estão completamente frustradas. Um cessar-fogo desse tipo não lhes oferecerá esperança para o futuro, a menos que seja acompanhado de medidas concretas em direção à paz.
Os cristãos sudaneses sonham com um Sudão pacífico e próspero, onde todos os cidadãos tenham direitos iguais, todos os locais de culto sejam protegidos e todas as comunidades tenham voz na construção do futuro do país.”
