O El Niño, fenômeno climático extremo que se forma no Oceano Pacífico, ameaça elevar significativamente o custo da alimentação global. Especialistas alertam que o fenômeno pode ser recorde neste ano, provocar secas severas na Ásia e ondas de calor em outras regiões do planeta, colocando em risco a segurança alimentar de milhões.
O El Niño faz parte de um ciclo climático natural caracterizado pelo aquecimento das temperaturas oceânicas. A versão prevista para este ano, porém, deverá alcançar extremos inéditos de seca, calor intenso, enchentes e outros distúrbios relacionados ao clima na América do Sul, na África e na Ásia. A previsão é que o fenômeno atinja seu pico em dezembro.
Impacto iminente na Ásia e na segurança alimentar mundial
O Sudeste Asiático figura entre as regiões mais vulneráveis do mundo aos efeitos climáticos. A região já enfrenta uma crise energética desencadeada pela guerra no Irã. E agora o El Niño intensifica incêndios em terras agrícolas, reduz as reservas de água das principais cidades e prejudica a pesca local.
Governos asiáticos que vinham usando suas reservas financeiras para amenizar os efeitos da crise energética e da escassez de fertilizantes têm menos capacidade de lidar com este El Niño cada vez mais intenso.
Em entrevista à AP News, o pesquisador Paul Teng, do Iseas-Yusof Ishak Institute, em Singapura, disse que o fenômeno funciona como multiplicador de crises existentes na região. Secas prolongadas já deixam reservatórios em níveis críticos.
Em Lebak, na província de Banten, na Indonésia, casas antes submersas reapareceram após a queda acentuada do nível de água da represa de Karian em julho deste ano. A combinação de estiagem com incêndios em terras de turfa, registrados na Indonésia em agosto, ameaça destruir áreas produtivas e liberar carbono na atmosfera.
Ameaças à produção agrícola e ao comércio global
A produção de arroz, óleo de palma e outras culturas essenciais na Ásia corre risco direto com o agravamento das condições climáticas. Pescarias em lagos vitais como o Tonle Sap, no Camboja, um dos maiores sistemas de pesca de água doce do mundo, enfrentam capturas reduzidas conforme o nível de água cai.
Plantações de alho nas margens do rio Kok na Tailândia e lavouras de frutas de palma na Indonésia dependem de padrões regulares de chuva para prosperar. O impacto econômico ultrapassa fronteiras: analistas do Goldman Sachs estimam que a alta nos preços globais de commodities alimentares pode chegar a mais de 15%, pressionando consumidores em todo o mundo.
Além disso, cerca de 49 milhões de pessoas podem ser empurradas para a fome até 2027 se as condições climáticas extremas não forem controladas e os sistemas de produção não receberem suporte adequado dos governos e da comunidade internacional.
Fonte: Compre Rural.
