Home PestesBactéria que come carne avança na costa dos EUA com oceano mais quente

Bactéria que come carne avança na costa dos EUA com oceano mais quente

por Últimos Acontecimentos
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Bactéria do gênero Vibrio, associada a infecções raras e às vezes graves, aparece com mais frequência e em áreas mais ao norte da costa leste dos EUA à medida que o oceano esquenta.

O que aconteceu

Pesquisadores monitoram praias e áreas de maré na Flórida para mapear onde espécies perigosas de Vibrio circulam. Em uma coleta em Pensacola Beach, eles tentaram tranquilizar uma banhista e disseram: “Estamos apenas monitorando ativamente a qualidade da água”.

Mulher insistiu ao ver os cientistas com luvas, tubos e desinfetante na areia. “Vocês estão procurando aquela bactéria que come carne?”, perguntou, e ouviu como resposta: “Estamos investigando isso”.

Vibrio vive em água morna e salobra e pode se concentrar em ostras e mariscos, que filtram grandes volumes de água. A infecção pode ocorrer ao comer frutos do mar crus contaminados ou ao entrar no mar com feridas abertas, e o risco é maior em idosos, diabéticos, pessoas com doença no fígado ou imunossuprimidas.

Crise climática torna o ambiente mais favorável à bactéria porque eleva a temperatura do mar, um dos principais fatores para sua presença. Cientistas já registraram a expansão para regiões antes frias demais, chegando até o Maine, no extremo norte da costa leste.

Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estima cerca de 80 mil casos de vibrioses por ano nos EUA, com cerca de 100 mortes. A maioria dos casos é causada por Vibrio parahaemolyticus, que costuma provocar gastroenterite, mas as mortes se concentram em Vibrio vulnificus, capaz de evoluir rapidamente para choque séptico.

Autoridades de saúde têm relatado aumentos incomuns de casos de V. vulnificus em alguns períodos, associados a eventos extremos. “À medida que as temperaturas das águas costeiras aumentam, infecções por V. vulnificus devem se tornar mais comuns”, alertou o CDC em investigação sobre surtos.

Por que a bactéria preocupa médicos e pesquisadores

V. vulnificus é rara, mas chama atenção pela velocidade e pela alta letalidade em parte dos pacientes. O CDC registra, em geral, entre 150 e 200 casos por ano, e a taxa de mortalidade pode variar de 15% a 50%, dependendo da condição de saúde e da forma de exposição.

Microbiologistas dizem que a janela de circulação da bactéria se alongou em alguns lugares. “Nos anos 1980, a abundância de Vibrio aumentava no fim da primavera, ficava alta no verão e caía em meados de outubro. Agora podemos encontrá-las praticamente o ano todo”, afirmou Kyle Brumfield, microbiologista da Universidade de Maryland.

Estudo de 2023, citado no texto original, aponta que o limite norte de infecções confirmadas avançou cerca de 30 milhas por ano desde 1998. A análise também sugere que a área de ocorrência pode se aproximar de grandes centros populacionais na região de Nova York, com possibilidade de aumento no número anual de casos conforme a temperatura sobe e a população idosa cresce.

Modelo tenta prever risco com um mês de antecedência

Equipe ligada à Universidade da Flórida trabalha em um sistema de alerta precoce para a costa leste, com previsão de risco por condado. A proposta é avisar departamentos de saúde sobre concentrações elevadas de Vibrio com até um mês de antecedência.

Modelo combina registros do CDC de doenças transmitidas por água e alimentos entre 1997 e 2019 com dados de satélite, como temperatura e salinidade. Na primeira avaliação, a ferramenta teve baixa precisão para apontar áreas de alto risco, mas foi melhor em identificar regiões de baixo risco e antecipou cenários antes de furacões em 2024, segundo os pesquisadores.

Para a autora principal do estudo, o objetivo é preparar o sistema de saúde para um cenário em que o risco tende a crescer. “Em 30, 40, 100 anos, esses modelos nem vão importar porque o risco será alto. Quando chegar a esse ponto, provavelmente seria outro tipo de estratégia, em que modelaríamos números de casos em vez de risco de infecção”, disse Bailey Magers.

Fonte: UOL.

“…e pestes…” Mateus 24:7

11 de maio de 2026.

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