A Coreia do Sul estima que a Coreia do Norte possui entre 80 e 120 ogivas nucleares, informou seu ministro da Defesa nesta quinta-feira (20), citando um alcance significativamente maior do que o estimado por institutos multilaterais e pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
O ministro da Defesa, Ahn Gyu-back, disse aos legisladores que se acredita que a Coreia do Norte provavelmente possua cerca de 80 a 120 ogivas em seu arsenal atualmente, embora tenha alertado que é difícil determinar um número exato.
“Normalmente vemos entre 80 e 120, mas é consideravelmente limitado declarar um número exato”, disse Ahn a um comitê parlamentar.
Mais tarde, Ahn esclareceu que o número foi derivado de estimativas de organizações privadas de pesquisa especializadas no assunto, acrescentando que o governo da Coreia do Sul não pôde confirmar oficialmente os números.
O número divulgado pelo governo sul-coreano nesta quinta é maior que estimativas anteriores sobre as ogivas em poder da Coreia do Norte —assim como a China, o líder norte-coreano, Kim Jong-un, tem investido em expandir rapidamente seu arsenal nuclear em meio a mudanças na lógica de segurança mundial.
Trump, que busca se encontrar com Kim e reabrir negociações nucleares com ele, afirmou na quarta que Pyongyang possuía 57 “armas nucleares muito poderosas”. Sobre esse comentário. Ahn disse que “os números parecem um pouco diferentes”.
Já uma estimativa de janeiro de 2025 do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), referência mundial em armamentos nucleares, afirmou que o país asiático possuía cerca de 50 ogivas. A Coreia do Norte é um dos nove países do mundo que têm armas nucleares.
A Coreia do Sul tradicionalmente evita divulgar publicamente estimativas detalhadas do arsenal nuclear norte-coreano e não reconhece oficialmente Pyongyang como um estado com armas nucleares sob sua política de longa data de apoio à desnuclearização. O país tampouco reconhece oficialmente o vizinho do norte como um Estado nuclear.
A autoridade sul-coreana também se recusou a comentar se a referência de Trump às 57 ogivas equivalia a um reconhecimento dos EUA do status nuclear da Coreia do Norte, dizendo que não seria apropriado que o ministro da Defesa da Coreia do Sul comentasse as declarações do presidente dos EUA.
Ahn afirmou que a Coreia do Sul continuará a depender do guarda-chuva nuclear dos EUA, em linha com a política de longa data de Seul não nuclear. “Não podemos desenvolver armas nucleares. Também não devemos aceitar o uso de armas nucleares táticas dos EUA”, disse.
Os comentários vieram enquanto Trump busca retomar o engajamento com Kim após ordenar a redução dos exercícios militares conjuntos EUA-Coreia do Sul, que ele descreveu como “hostis” à Coreia do Norte.
A Coreia do Norte respondeu com frieza à medida. Kim Yo Jong, irmã influente do líder norte-coreano, disse que os exercícios reduzidos continuam provocativos e agressivos apesar de sua duração reduzida.
Ela rejeitou qualquer sugestão de que Pyongyang veria a medida como um gesto significativo de boa vontade e disse que não tinha conhecimento de quaisquer contatos recentes entre Trump e Kim, embora tenha descrito a relação pessoal entre os líderes como “excelente”.
Trump disse na Casa Branca na quarta-feira que esperava se encontrar com Kim ainda este ano, potencialmente revivendo a diplomacia que havia paralisado após uma série de cúpulas sem precedentes em 2018 e 2019 que colapsaram devido a divergências sobre o alívio das sanções e o programa nuclear da Coreia do Norte.
Fonte: Reuters.
