Nos Estados Unidos, um grupo de deputados democratas enviou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, alertando o governo Trump para não designar as facções brasileiras CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas estrangeiras.
O documento assinado por sete parlamentares foi enviado ao chefe da diplomacia dos EUA na quarta-feira (6), na véspera da reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, na Casa Branca. Rubio não participa do encontro porque viajou ao Vaticano para uma reunião com o papa Leão XIV.
“Tal medida seria contraproducente e prejudicial às relações entre os EUA e o Brasil”, afirmam os deputados na carta.
Os parlamentares alegam que o governo Trump “já utilizou sanções para interferir em assuntos internos no Brasil” e citam a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Embora as sanções contra Moraes tenham sido suspensas após mediação diplomática, permanecemos preocupados com a postura deste governo em relação ao Brasil, onde eleições nacionais serão realizadas em seis meses”, afirma o documento.
“Tememos que a designação de organizações criminosas como Organizações Terroristas Estrangeiras seja usada para influenciar indevidamente as eleições em direção a um resultado que o governo considere politicamente favorável. Essa preocupação é amplificada pelo longo e problemático histórico de intervenção dos EUA no Brasil, incluindo o apoio documentado dos EUA à ditadura militar após o golpe de 1964”, acrescentam os democratas.
Eles recomendam ao governo Trump utilizar os canais “diplomáticos e policiais já estabelecidos” como forma mais eficaz de combater o crime transnacional.
Os parlamentares dizem concordar com a avaliação do governo de que organizações como o PCC e o CV “representam uma séria ameaça à segurança regional, à governança democrática, ao meio ambiente e aos direitos humanos”.
Eles chegam a destacar a expansão das facções brasileiras para a Colômbia, Peru e Bolívia e o envolvimento “na destruição ambiental na floresta amazônica e na violência contra comunidades locais e líderes sociais”.
No entanto, os democratas afirmam estar preocupados com o “uso excessivo e a instrumentalização das designações de Organização Terrorista Estrangeira” (FTO, na sigla em inglês) pelo governo Trump, alegando que a medida “pode enfraquecer os esforços para impedir o crime organizado em nosso hemisfério”.
Fonte: CNN.
