O calor adicional produzido pelo fenômeno climático El Niño poderá causar 451 mil mortes a mais em todo o mundo até fevereiro, segundo projeções de cientistas do clima publicadas nesta quarta-feira (23/09).
O Brasil está entre os países mais afetados, atrás de Nigéria, Indonésia, Sudão e Índia.
O fenômeno de aquecimento, que foi oficialmente declarado em junho e deve atingir seu pico ainda este ano, está a caminho de se tornar o mais forte já registrado, ampliando os efeitos das mudanças climáticas provocadas pela ação humana.
As estimativas do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, indicam que os países em desenvolvimento, que já enfrentam insegurança alimentar e altos custos de energia, serão os mais atingidos pelo aumento das mortes relacionadas ao calor.
Sahel é o mais afetado
Os pesquisadores responsáveis pelo relatório concluíram que a região do Sahel, na África, formada por países localizados ao longo da faixa semiárida ao sul do Deserto do Saara, poderá registrar 66,8 mil mortes adicionais por calor em comparação com um ano normal, sendo que quase metade desse total ocorreria apenas na Nigéria.
Também são projetadas 19,3 mil mortes adicionais na Indonésia e 19,4 mil nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, além de 15,8 mil na Índia.
Um dos autores do estudo, Michael Greenstone, afirmou que o risco associado ao calor provavelmente persistirá além de fevereiro, embora se espere que o El Niño termine até lá.
Metodologia do estudo
O estudo combinou previsões sazonais de temperatura com estimativas localizadas sobre como as altas temperaturas afetam a mortalidade em mais de 24 mil regiões ao redor do mundo.
Os pesquisadores estimaram as mortes adicionais relacionadas ao calor comparando o número de óbitos esperado sob as temperaturas elevadas provocadas pelo El Niño com o número de mortes esperado caso as temperaturas permanecessem semelhantes às observadas nas últimas três décadas.
As fatalidades projetadas referem-se a todo o período do El Niño, de junho de 2026 até o fim de fevereiro de 2027.
Os pesquisadores projetaram que as temperaturas terrestres globais ficarão 1,2 °C acima da média nos próximos meses, em grande parte devido ao El Niño, o que resultará em 44% mais dias de calor extremo do que em um ano normal.
Os pesquisadores do Climate Impact Lab afirmaram que suas projeções podem ajudar governos e organizações humanitárias a adotar medidas preventivas para proteger a população, incluindo alertas de calor, centros de resfriamento e pontos de distribuição de água para hidratação.
Fonte: DW.
