Os Estados Unidos querem que o Irã forneça informações detalhadas sobre suas reservas de urânio enriquecido e permita o acesso imediato de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) às instalações nucleares do país.
A exigência consta em um projeto de resolução que deve ser votado nesta semana pela assembleia de governadores da agência da ONU.
A iniciativa surge em meio ao aumento das tensões envolvendo o programa nuclear iraniano e poucos dias após a retomada dos ataques entre Irã e Israel, que colocaram em risco as negociações de paz mediadas pelos EUA.
Segundo o texto, é “essencial e urgente” que Teerã apresente “informações precisas” sobre seu material nuclear e sobre as instalações submetidas às salvaguardas internacionais.
A proposta também exige que o governo iraniano conceda à AIEA “todo o acesso necessário” para verificar essas informações.
A resolução será analisada pela junta de governadores da agência nuclear da ONU, composta por 35 países.
AIEA relata dificuldade de acesso
Na semana passada, a AIEA voltou a demonstrar preocupação com a falta de cooperação iraniana.
Em relatório confidencial, a agência afirmou que a ausência de acesso a determinadas instalações nucleares representa um “motivo de preocupação em matéria de proliferação”, expressão utilizada para indicar riscos relacionados ao desenvolvimento de armas nucleares.
Nesta segunda-feira, 8, o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, afirmou que a comunicação com Teerã está praticamente interrompida. “Mantive contatos esporádicos com o ministro das Relações Exteriores e outras autoridades, mas basicamente o canal de comunicação está rompido”, declarou.
A pressão ocorre em um momento delicado para as negociações entre Washington e Teerã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta avançar em um acordo mais amplo com o governo iraniano, que inclui discussões sobre o programa nuclear e a redução das tensões no Oriente Médio.
Israel e os Estados Unidos acusam o Irã de buscar capacidade para produzir uma arma nuclear. O governo iraniano nega as acusações e sustenta que seu programa tem fins exclusivamente civis, voltados para geração de energia e pesquisa científica.
No sábado, Teerã rejeitou as conclusões da AIEA e classificou o relatório da agência como um “instrumento de pressão política”.
A votação da resolução poderá aumentar a pressão diplomática sobre o Irã justamente em um momento em que as negociações nucleares enfrentam dificuldades e o cessar-fogo entre Israel e Irã permanece sob tensão.
Fonte: AFP.
