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Europa Ocidental tem junho e julho mais quentes da história

por Últimos Acontecimentos
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A Europa Ocidental viveu o período de junho e julho mais quente já registrado, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (10/08) pelo Serviço de Monitoramento das Alterações Climáticas do Copernicus (C3S) , da União Europeia. A temperatura média na região atingiu 21,62 °C, superando o recorde anterior de 2022 e ficando 2,79 °C acima da média observada no período base de 1991 a 2020.

O resultado reflete um verão marcado por calor persistente desde a primavera boreal. Segundo o Copernicus, a região enfrentou quatro ondas de calor desde maio, acompanhadas de seca intensa e condições favoráveis à propagação de grandes incêndios florestais.

Apesar do recorde no oeste europeu, os cientistas destacam que o aquecimento não ocorreu de forma homogênea em todo o continente. Houve um forte contraste entre a Europa Ocidental e partes da Europa Oriental e da Escandinávia, onde as temperaturas permaneceram significativamente mais baixas. Na Alemanha, por exemplo, o sudoeste registrou temperaturas muito superiores às observadas no nordeste do país

Embora o calor tenha batido recordes na Europa Ocidental, o cenário continental foi mais moderado. Com temperatura média de 20,49 °C, julho de 2026 foi apenas o 11º julho mais quente já registrado na Europa.

Em escala global, porém, o mês ficou empatado com julho de 2024 como o segundo mais quente da história, atrás apenas de julho de 2023. A temperatura média global do ar na superfície atingiu 16,9 °C, valor 1,47 °C acima dos níveis pré-industriais de 1850-1900.

Oceanos quebram novo recorde

Além das temperaturas em terra, os oceanos também atingiram marcas históricas.

O Copernicus informou que a temperatura média da superfície dos mares fora das regiões polares chegou a 20,96 °C em julho, o valor mais alto já registrado para o mês. O recorde anterior, de 20,89 °C, havia sido estabelecido em julho de 2023.

Ao longo da costa atlântica europeia e do Mediterrâneo Ocidental, cientistas observaram ondas de calor marinhas intensas e temperaturas recordes da água, com impactos para ecossistemas marinhos e comunidades costeiras.

Calor e seca alimentam um ao outro

Os dados mostram que a seca continuou a se intensificar em grande parte da Europa. As condições foram especialmente severas em regiões da Península Ibérica, da França, da Alemanha, da Áustria, da Hungria e do Reino Unido.

A umidade do solo na Europa Ocidental ficou abaixo dos níveis observados durante a grande seca de 2022. Segundo Samantha Burgess, cientista do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), essa perda de umidade contribui diretamente para o agravamento das ondas de calor.

“Quando os solos secam, perdem a capacidade de proporcionar resfriamento natural, permitindo que o calor se acumule com mais facilidade. Este é um exemplo claro de como as mudanças climáticas intensificam os extremos de calor, com calor e seca reforçando-se mutuamente”, afirmou.

Sena, Reno e Danúbio em níveis críticos

A falta prolongada de chuvas também afetou os principais cursos d’água do continente. De acordo com o Copernicus, os níveis dos rios ficaram muito abaixo da média histórica em amplas áreas atingidas pela seca. Entre os casos mais preocupantes estão os rios Sena, na França, Reno, na Alemanha, e Danúbio, na Europa Central.

A baixa dos rios já afeta a navegação, o transporte de mercadorias, a irrigação agrícola e a produção de energia. No Reno, uma das principais vias fluviais da Europa, associações de navegação alertam para possíveis interrupções em trechos da rota caso o nível da água continue caindo. Embarcações estão circulando com apenas 20% de carga, em alguns casos, encarecendo o transporte.

Além disso, geradores de usinas nucleares precisaram ser desligados devido ao baixo nível de água para resfriamento. A água potável também ficou mais cara, porque passou a precisar de mais processos de tratamento devido à seca.

Incêndios extremos e fumaça a milhares de quilômetros

As condições de calor e seca favoreceram uma temporada excepcional de incêndios florestais. França e Espanha enfrentaram alguns dos maiores incêndios já registrados em sua história recente, enquanto outras regiões da Europa também sofreram com queimadas de grandes proporções.

Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitoramento da Atmosfera do Copernicus, afirmou que os incêndios tornaram-se mais intensos tanto no sul quanto em regiões mais ao norte do continente.

Segundo ela, incêndios de grande escala produzem volumes maiores de fumaça e partículas, que alcançam altitudes mais elevadas da atmosfera e podem ser transportadas por milhares de quilômetros, degradando a qualidade do ar muito além das áreas diretamente afetadas pelo fogo.

El Niño pode elevar temperaturas ainda mais

Os pesquisadores apontam que parte desse aquecimento dos oceanos está relacionada ao fortalecimento do fenômeno El Niño no Pacífico equatorial.

O fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico tropical, tende a modificar padrões climáticos em diferentes partes do planeta e geralmente contribui para o aumento das temperaturas globais. E este ano um fenômeno especialmente severo, o pior El Niño em 140 anos, pode ser registrado, alertam os meteorologistas.

Segundo Carlo Buontempo, diretor do Copernicus, o fortalecimento do El Niño, combinado ao aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa, aumenta a probabilidade de novos recordes globais de temperatura no final de 2026 ou no início de 2027.

Efeitos da ação do homem

O Copernicus produz análises climáticas a partir de bilhões de medições coletadas por satélites, navios, aeronaves e estações meteorológicas em todo o mundo. As séries de dados utilizadas pelo programa remontam a 1950, embora algumas informações históricas permitam comparações ainda mais antigas.

Para os cientistas, os números divulgados reforçam uma tendência observada ao longo da última década: eventos extremos de calor, seca e incêndios estão se tornando mais frequentes e intensos em um planeta cada vez mais aquecido.

Um estudo divulgado em junho pela rede internacional de cientistas Atribuição Climática Global (WWA) concluiu que o calor extremo registrado neste ano na Europa teria sido “praticamente impossível” sem a influência das mudanças climáticas causadas pelo ser humano. Segundo os pesquisadores, um evento semelhante teria sido cerca de 3,5 °C mais frio em 1976.

Fonte: DW.

“…e grandes sinais do céu.” Lucas 21:11

10 de agosto de 2026.

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