O enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump, Jared Kushner encerrou na segunda-feira (17) uma rodada de conversas com autoridades de Israel e do Hamas sem conseguir destravar o plano de cessar-fogo para a Faixa de Gaza apoiado pelo Conselho de Paz de Trump.
Genro do presidente americano, Kushner se reuniu por mais de quatro horas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Jerusalém. No domingo (16), ele havia se encontrado com o líder político do Hamas, Khalil Al-Hayya, no Egito.
Apesar das reuniões, os dois lados mantiveram suas principais exigências. Israel insiste no desarmamento completo do Hamas antes de retirar suas forças de Gaza, enquanto o grupo palestino exige o cumprimento do cessar-fogo, a interrupção dos ataques israelenses e a retirada das tropas antes de entregar suas armas.
Israel condiciona retirada ao desarmamento do Hamas
Após a reunião com Netanyahu, um representante do Conselho da Paz, órgão apoiado pelos EUA para implementar o plano de Trump, afirmou que não haverá retirada ou reposicionamento das Forças de Defesa de Israel de Gaza até que o Hamas esteja completamente desarmado e o território seja desmilitarizado.
A exigência inclui a eliminação de armas leves e pesadas, além dos túneis utilizados pelo grupo.
Segundo o representante, o Hamas teria concordado com o desarmamento e com a interrupção de suas atividades militares, incluindo o rearme e a construção de novos túneis. Em contrapartida, Netanyahu teria afirmado que Israel cumprirá seus compromissos pendentes.
Porém, o primeiro-ministro israelense deixou claro que as forças do país continuarão operando em Gaza conforme considerarem necessário e que Israel manterá o direito de se defender caso o Hamas volte a realizar ataques ou tente se rearmar.
Netanyahu também condicionou o início da reconstrução de Gaza ao desarmamento do Hamas.
Kushner afirmou que o grupo poderia começar a entregar voluntariamente suas armas nos próximos 60 a 90 dias. Segundo ele, caso isso aconteça, haverá possibilidade de avanços no processo de paz.
“Se o Hamas realmente entregar voluntariamente as armas que estão nos túneis nos próximos 60 a 90 dias, isso obviamente eliminaria uma enorme ameaça à segurança de Israel”, disse Kushner à Fox News.
O enviado americano também indicou que os EUA apoiariam novas ações militares israelenses caso o Hamas não cumpra o compromisso.
“Se eles não cumprirem seu compromisso agora, todos verão que não são sinceros quanto à paz e que Israel terá muito mais apoio dos EUA e de outros países para concluir o trabalho da maneira apropriada”, afirmou.
Hamas e Israel divergem sobre a ordem do acordo
O Hamas afirma que o desarmamento depende de medidas anteriores de Israel, principalmente a interrupção dos ataques e a retirada das tropas de Gaza.
Já o governo de Netanyahu considera o desarmamento do grupo uma condição necessária para qualquer retirada militar.
A divergência levou ao bloqueio do plano de 15 pontos apresentado pelo chamado Conselho de Paz de Trump. No mês passado, o Hamas havia indicado concordar com o roteiro, mas afirmou que sua implementação dependeria do cumprimento dos compromissos assumidos por Israel.
Durante a reunião em Jerusalém, Kushner, Netanyahu e autoridades americanas também concordaram em criar grupos de trabalho voltados ao desarmamento e a questões de saneamento, água potável e saúde pública.
Kushner diz que houve avanços nas conversas
Apesar da falta de um acordo, Kushner classificou a reunião com Netanyahu como “muito, muito boa”.
Segundo o enviado, foram discutidas preocupações consideradas legítimas pelo primeiro-ministro israelense, além de questões relacionadas ao direito de Israel de se defender e à reconstrução de Gaza.
Kushner também afirmou que representantes do Hamas disseram “tudo o que era preciso” durante o encontro realizado no Egito.
O americano, entretanto, demonstrou desconfiança em relação ao grupo.
“É muito, muito difícil confiar, sabe, em uma organização terrorista que cometeu essas atrocidades terríveis”, afirmou.
Segundo Kushner, o próximo passo dependerá de ações concretas do Hamas.
“Vamos dar a eles uma chance de agir, mas isso terá de se basear em ações e medidas concretas”, disse.
O encontro em Jerusalém foi o segundo conhecido entre Kushner e representantes do Hamas. Em outubro de 2025, ele havia participado de conversas com integrantes do grupo ao lado do enviado americano Steve Witkoff, que contribuíram para um acordo que levou a um cessar-fogo em Gaza e à libertação dos reféns restantes mantidos pelo Hamas.
Fonte: CNN.
