O missionário Benito Guevara Arcos, de 79 anos, permanece desaparecido após ter sido visto pela última vez em 31 de março de 2026, enquanto realizava atividades evangelísticas no estado de Guerrero, no México.
Segundo testemunhos reunidos por parceiros locais da Portas Abertas, homens armados teriam interceptado o missionário e o forçado a deixar a região. Meses depois, surgiram relatos sobre seu possível paradeiro, mas a família não conseguiu confirmar as informações nem estabelecer contato com ele.
A Comissão Estadual de Busca de Pessoas Desaparecidas de Guerrero divulgou um comunicado oficial registrando o desaparecimento de Benito Guevara Arcos. Até o momento, as investigações não apresentaram resultados conclusivos.
Crime organizado aumenta riscos para cristãos mexicanos
O desaparecimento de Benito não é um caso isolado. Entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2025, a equipe de pesquisa da Portas Abertas registrou 73 incidentes de perseguição relacionados ao crime organizado no México. Quatro desses casos envolveram sequestros ou desaparecimentos.
Em diversas regiões do país, grupos criminosos exercem forte influência sobre as comunidades locais. Nesse contexto, líderes cristãos podem enfrentar oposição por atuarem junto a pessoas afetadas pela violência, dependência química e vulnerabilidade social.
“O crime organizado frequentemente vê a presença cristã com desconfiança porque o evangelho desafia dinâmicas de medo, violência e controle. Muitos líderes cristãos denunciam abusos e promovem valores que entram em conflito com os interesses desses grupos”, explicou uma representante da equipe da Portas Abertas no México.
Escalada de casos de desaparecimento no México
A situação de Benito ocorre em meio a uma ampla crise de desaparecimentos no país. De acordo com o Instituto Mexicano de Direitos Humanos, cerca de 135 mil pessoas estão desaparecidas atualmente no México.
A gravidade do cenário também chama a atenção de organismos internacionais. O país concentra 38% das ações urgentes registradas pelo Comitê das Nações Unidas sobre Desaparecimentos Forçados, percentual superior ao de nações marcadas por conflitos armados, como Iraque e Colômbia.
Especialistas apontam que a impunidade, as limitações estruturais nas buscas e os riscos enfrentados por familiares e defensores dos direitos humanos continuam sendo desafios significativos para a resolução desses casos.
Igreja pede que o caso não seja esquecido
Sem respostas concretas sobre o paradeiro de Benito Guevara Arcos, cristãos locais pedem que as autoridades intensifiquem os esforços de investigação e fortaleçam as medidas de proteção para aqueles que servem em áreas afetadas pela violência e pelo crime organizado.
Parceiros da Portas Abertas destacam que, por trás das estatísticas, existe uma família aguardando respostas e uma comunidade cristã que continua orando por justiça, proteção e esperança.
