Home FomesONU alerta para agravamento da fome em 13 zonas críticas no segundo semestre; Sudão, Gaza, Iêmen e Sudão do Sul lideram lista de preocupação

ONU alerta para agravamento da fome em 13 zonas críticas no segundo semestre; Sudão, Gaza, Iêmen e Sudão do Sul lideram lista de preocupação

por Últimos Acontecimentos
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Um novo relatório divulgado pelas agências das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP) alerta para o agravamento da fome em 13 zonas críticas do mundo durante o segundo semestre deste ano. O documento destaca que milhões de pessoas podem enfrentar níveis mais severos de insegurança alimentar aguda entre junho e novembro, em um cenário marcado por conflitos armados, choques climáticos e redução dos recursos destinados à assistência humanitária.

O estudo “Pontos Críticos de Fome” foi publicado nesta quarta-feira (18/06/2025), em Roma, na Itália, onde estão localizadas as sedes das duas agências da ONU. O relatório aponta que a deterioração das condições alimentares exige mobilização internacional imediata para evitar o avanço de crises humanitárias em diferentes regiões.

Segundo o levantamento, a combinação entre violência, deslocamentos populacionais, eventos climáticos extremos e dificuldades econômicas amplia os riscos para populações já vulneráveis, especialmente em países que enfrentam conflitos prolongados.

Queda do financiamento agrava cenário humanitário

Entre os principais fatores de preocupação está a redução de 59% no financiamento humanitário global destinado às áreas alimentar e agrícola de emergência. De acordo com a FAO e o WFP, a diminuição dos recursos levou os níveis de financiamento a patamares semelhantes aos observados há quase uma década.

As agências estimam que cerca de 266 milhões de pessoas enfrentam atualmente insegurança alimentar aguda em diferentes partes do mundo. O relatório destaca que a falta de investimentos compromete programas de assistência, recuperação agrícola e ações preventivas.

Para a FAO, a principal dificuldade não está na identificação das áreas de risco, mas na capacidade de resposta rápida para evitar que situações de vulnerabilidade evoluam para cenários de fome em larga escala. A organização defende investimentos antecipados em agricultura familiar, produção local de alimentos e fortalecimento da resiliência das comunidades.

Conflitos e desastres climáticos ampliam risco de fome

O Programa Mundial de Alimentos alerta que conflitos armados e eventos climáticos extremos continuam sendo os principais motores da insegurança alimentar global. Segundo a agência, milhares de famílias são obrigadas a tomar decisões relacionadas à sobrevivência diante da escassez de alimentos e da perda de meios de subsistência.

O WFP também reforça a necessidade de garantir acesso humanitário seguro às populações afetadas, permitindo a distribuição de alimentos, medicamentos e assistência emergencial antes que a situação alcance níveis irreversíveis.

Além dos conflitos, as previsões climáticas para o segundo semestre indicam a possibilidade de secas severas e inundações associadas ao fenômeno El Niño, o que pode comprometer ainda mais a produção agrícola em diversas regiões.

Sudão, Gaza, Sudão do Sul e Iêmen permanecem em nível máximo de preocupação

Faixa de Gaza, o Sudão, o Sudão do Sul e o Iêmen permanecem classificados como os cenários mais graves do relatório.

No Sudão, o risco de fome severa ameaça 14 áreas localizadas nas regiões de Darfur e Cordofão, afetando mais de 19 milhões de pessoas. As projeções indicam que aproximadamente 200 mil indivíduos podem atingir o nível considerado de catástrofe alimentar nos próximos meses.

No Sudão do Sul, mais da metade da população enfrenta níveis críticos de privação alimentar. O relatório destaca que milhares de pessoas já vivem em condições classificadas como catastróficas, enquanto vários condados seguem sob ameaça direta de fome extrema.

Já no Iêmen, a crise alimentar continua entre as mais graves do mundo, afetando mais de 18 milhões de habitantes em áreas controladas por diferentes grupos e autoridades.

Nigéria e Somália passam a integrar grupo de vigilância máxima

O relatório registra a inclusão da Nigéria e da Somália na categoria de maior preocupação.

No território nigeriano, o estado de Borno apresenta áreas onde a população enfrenta desnutrição aguda crítica e risco elevado de mortalidade associada à fome.

Na Somália, a situação se agravou principalmente no distrito de Burhakaba, onde sucessivas secas, colheitas reduzidas e impactos econômicos ampliaram a vulnerabilidade alimentar da população.

As duas nações passaram a integrar o grupo de monitoramento intensivo devido ao risco crescente de deterioração rápida das condições humanitárias.

Gaza segue sob risco extremo apesar de estabilização localizada

Nos Territórios Palestinos, o relatório aponta que a estabilização observada após o cessar-fogo registrado no ano passado foi limitada e localizada.

Mesmo com algumas melhorias pontuais, toda a Faixa de Gaza permanece sob risco elevado de agravamento da crise alimentar. Mais de 1,5 milhão de pessoas dependem atualmente de assistência humanitária urgente para garantir acesso a alimentos e serviços básicos.

A ONU destaca que restrições de acesso, danos à infraestrutura e dificuldades logísticas continuam comprometendo a distribuição de ajuda humanitária no território.

Afeganistão, Haiti, Congo, Mali e Mianmar seguem sob monitoramento

Entre os países classificados em níveis elevados de preocupação estão o Afeganistão, a República Democrática do Congo, o HaitiMali e Mianmar.

No Afeganistão, fatores como secas recorrentes, inflação dos alimentos e instabilidade interna continuam pressionando a segurança alimentar da população.

Na República Democrática do Congo, a violência armada nas províncias orientais, o deslocamento de moradores e um surto recente de ebola dificultam o funcionamento dos mercados locais e o acesso das equipes humanitárias.

O Haiti apresentou melhorias localizadas, incluindo redução da inflação e reabertura parcial de rotas rodoviárias importantes. Apesar disso, o país permanece em situação de preocupação elevada devido às fragilidades estruturais e aos desafios de segurança.

Mudanças climáticas e conflitos mantêm pressão sobre sistema alimentar global

O relatório também inclui Líbano e Madagascar entre as áreas de preocupação devido aos impactos combinados de conflitos, instabilidade econômica e eventos climáticos adversos.

Segundo a FAO e o WFP, praticamente todas as 13 zonas críticas analisadas apresentam algum grau de influência de conflitos armados, violência ou deslocamentos populacionais.

As agências alertam que os efeitos do fenômeno El Niño podem intensificar secas, enchentes e oscilações na produção agrícola global, aumentando os riscos de insegurança alimentar nos próximos meses.

Diante desse cenário, as Nações Unidas defendem o reforço do financiamento internacional e a ampliação das ações preventivas para evitar que milhões de pessoas avancem para níveis ainda mais graves de fome.

Fonte: ONU News.

“…e haverá fomes,” Mateus 24:7

18 de junho de 2026.

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