Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Técnica da Dinamarca (DTU) e publicado na revista científica Nature, revela que a maior ilha do mundo, formada 80% de gelo, está derretendo muito mais rápido do que previam os cientistas e com grandes impactos.
Número de icebergs é quatro vezes maior do que há 25 anos
O estudo indica que as geleiras da Groenlândia estão liberando quatro vezes mais icebergs do que há 25 anos em razão das mudanças climáticas. A ilha perdeu cerca de 5 mil quilômetros quadrados de gelo nos últimos 40 anos.
Os cientistas explicam que o derretimento acelerado das geleiras, afeta não só as áreas costeiras, mais sujeitas às inundações, mas tem um impacto muito mais amplo para além do Ártico.
A Groenlândia inclui hoje rotas marítimas comerciais globais conectando o Atlântico ao Ártico, embarcações locais de pesca, que abastecem as comunidades costeiras da Ilha, além de cruzeiros turísticos e bases militares, que também já começam a ser impactados.
Segundo os pesquisadores, quando os icebergs se desprendem e se deslocam transportam grande quantidade de rochas e sedimentos por centenas de quilômetros no mar, alterando o ecossistema especialmente no fundo do mar pelo Atlântico Norte.
As pedras afundam e alteram a vida no fundo do mar a quase 2.500 metros abaixo da superfície, explicam os cientistas.
Em quase 40 anos de observações de icebergs no Estreito de Fram, entre a Groenlândia e Svalbard, dados de satélite, modelos de gelo marinho e estudos do fundo do mar mostraram que o número de icebergs quadruplicou desde 2000.
A mudança climática aqueceu o Ártico quatro vezes mais rapidamente do que o restante do mundo e o aumento no nível do mar será inevitável. Os cientistas alertam que o derretimento da camada de gelo da Groenlândia pode elevar o nível do mar em pelo menos 27 cm, considerando o aquecimento já ocorrido.
“O Ártico está respondendo mais rapidamente ao aquecimento global do que a maioria dos outros lugares da Terra. Portanto, é crucial entender a interação entre as calotas polares, o oceano e os ecossistemas. Esse conhecimento é necessário para que possamos prever e gerenciar as consequências das futuras mudanças climáticas”, afirma Shfaqat Abbas Khan, um dos autores do estudo.
