O porta-aviões mais novo e avançado da China, o Fujian, atravessou o Estreito de Taiwan nesta terça-feira (23), segundo um comunicado do Ministério da Defesa taiwanês. É a primeira incursão na rota marítima desde abril.
Pequim considera que a ilha de Taiwan é parte de seu território. As forças armadas chinesas utilizaram “métodos conjuntos de inteligência, vigilância e reconhecimento para monitorá-lo de perto”, acrescentou a pasta, sem dar mais detalhes.
A região autônoma tem feito relatos diários de atividades militares chinesas ao redor do território, o que Taipé entende como uma campanha de pressão. O ministério também divulgou uma foto do navio tirada de cima em preto e branco, embora não houvesse aeronaves visíveis em seu convés. A pasta não informou onde ou como a foto foi tirada.
O Ministério da Defesa da China não respondeu aos pedidos de comentário feitos pela reportagem.
Campanha de pressão
A China começou a enviar navios da guarda costeira ao longo da costa leste da ilha para criar a impressão de domínio chinês sobre as águas, no que Taiwan descreve como uma nova tática de pressão.
Em discurso no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Taiwan nesta terça, o ministro do conselho de assuntos do continente, Chiu Chui-cheng, afirmou que o governo se recusa a aceitar o “plano final de Pequim de anexar Taiwan”.
A origem da disputa por Taiwan
“Embora Taiwan enfrente uma pressão intensa, crescente e sem precedentes, nossa determinação em resguardar nossa soberania e nosso sistema democrático nunca foi tão forte”, disse o líder da pasta responsável por intermediar as relações com a China.
“Nesse ponto, não há espaço para concessões. Nunca sucumbiremos às ameaças e à pressão cada vez mais intensa da China. Taiwan nunca se renderá”, afirmou.
A última vez que o Fujian navegou pelo estreito foi em meados de dezembro. Ainda assim, o Liaoning, o porta-aviões chinês mais antigo, atravessou a via em abril.
O Fujian possui um convés de voo plano e catapultas eletromagnéticas para lançar aeronaves. Isso faz da embarcação uma arma naval potencialmente mais perigosa que os dois primeiros porta-aviões chineses projetados pela Rússia.
Ele é capaz de transportar um número maior de caças e muito mais munições que os porta-aviões Liaoning e Shandong, que são menores e dependem de rampas de lançamento.
A China afirma ter soberania exclusiva sobre o estreito, que é uma importante artéria para o tráfego de cargas. Taiwan e os Estados Unidos afirmam que se trata de uma via internacional.
Fonte: Reuters.
