O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) pode envolver uma mutação do vírus, enquanto o número de casos confirmados supera 4.000. As informações foram divulgadas pelo jornal britânico The Guardian.
O que aconteceu
O surto, causado pela variante Bundibugyo do vírus, foi notificado em 15 de maio na RDC. Autoridades suspeitam que a doença já circulasse no país desde janeiro.
O instituto nacional de saúde pública do país registrou 3.973 casos e 1.801 mortes até 4 de agosto. Jean Kaseya, diretor-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, afirmou hoje que os casos já haviam passado de 4.000.
Kaseya disse que o órgão e a Organização Mundial da Saúde planejam estudos para investigar o vírus. “Precisamos verificar se não há um problema adicional ou se o vírus não está sofrendo mutação”, afirmou. Segundo Kaseya, o nível de gravidade deste surto de Bundibugyo é “sem precedentes”.
A resposta ao surto vai incluir busca ativa de casos de casa em casa nas áreas afetadas. Agentes comunitários perguntarão às famílias se há moradores com sintomas de ebola, como vômito e diarreia, por exemplo.
Autoridades também pretendem ampliar o uso de ferramentas digitais e as ações em acampamentos de deslocados internos. A estratégia prevê uma resposta centrada nas comunidades atingidas pelo conflito.
Transmissão sem rastreamento preocupa autoridades
Mais de dois terços das mortes por ebola ocorrem fora dos centros de tratamento. Em uma unidade da Médicos Sem Fronteiras em Bunia, capital da província de Ituri, 90% dos pacientes internados não constavam nas listas de contatos conhecidos.
O rastreamento identifica dez contatos por paciente, embora o número esperado seja de cerca de 40. Wessam Mankoula, chefe interino de preparação e resposta a emergências do Centro Africano, disse que a fase de medidas graduais acabou.
