O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos irão atingir o Irã com força na economia, enquanto Washington e Teerã lutam para chegar a um acordo que ponha fim a um conflito que já dura quase seis meses.
Seus comentários à Fox News ocorreram um dia depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ter dito que os EUA iriam aplicar medidas “nunca vistas” em Teerã já na próxima semana.
O líder americano também afirmou que “em breve” declarará o Estreito de Ormuz como território dos EUA.
“Em breve, estarei declarando o Estreito de Ormuz um território dos Estados Unidos. É verdade”, disse ele, dando uma risadinha, durante um comício político em uma academia de polícia no estado de Nova York. Não ficou claro se ele estava falando sério.
Em resposta a Trump, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse que Teerã não se deixaria intimidar por ameaças ou demonstrações de força, acrescentando que o Estreito de Ormuz só seria aberto ou fechado sob a autoridade do Irã.
“Enquanto vocês não aceitarem a realidade da derrota e pararem de se entregar a fantasias, o Irã continuará a impor o bloqueio”, escreveu Gharibabadi em uma postagem no X, demonstrando pouca urgência em restaurar o comércio pré-guerra. “O Estreito de Ormuz não pode ser tomado por um tweet ou um porta-aviões, por uma ordem ou por um discurso eleitoral.”
O trânsito pelo Estreito de Ormuz pareceu ficar praticamente paralisado na sexta-feira, após mais dois navios terem sido atacados na região e os Estados Unidos declararem que poderiam manter o bloqueio naval ao Irã indefinidamente, com os dois países ainda em impasse sobre o controle das águas estratégicas e o programa nuclear de Teerã.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou na sexta-feira que nenhuma decisão havia sido tomada para retomar as negociações com os Estados Unidos, informou a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos. Ele acrescentou que os mediadores Catar e Paquistão estavam em contato com o Irã e trocando mensagens, mas que isso não configurava negociações com base no acordo de junho para pôr fim à guerra.
