A Autoridade de Desenvolvimento da Capital do Paquistão (CDA) lançou recentemente uma grande campanha “anti-invasão” para recuperar terras na capital do país, Islamabad — grande parte da qual é ocupada por cristãos.
O governo argumenta que esses “atchi abadis”, ou assentamentos informais, são ilegais e impedem a construção de novas estradas e a expansão da cidade. No entanto, para aqueles que ali vivem, esses locais não são apenas “lugares ilegais”, são lares onde residem há décadas.
Cerca de 40 assentamentos informais em Islamabad abrigam aproximadamente 450.000 pessoas. Aproximadamente metade desses bairros possui uma grande população cristã.
Estima-se que 25.000 cristãos vivam em apenas três colônias: Colônia Rimsha (H-9), Colônia Allama Iqbal (G-7) e Colônia Akram Gill. Eles são frequentemente os trabalhadores essenciais da cidade, atuando como faxineiros, operários e empregados domésticos.
A crescente tensão transformou-se em tragédia em meados de abril em Noorpur Shahan, perto do santuário de Bari Imam. Quando a CDA (Autoridade de Desenvolvimento da Capital) chegou com tratores para demolir casas, os moradores, sem ter para onde ir, resistiram. Cerca de 500 moradores lutaram para proteger suas famílias. O confronto tornou-se violento, com a polícia usando gás lacrimogêneo e os moradores atirando pedras. Dois veículos do governo foram incendiados e pelo menos oito policiais e muitos moradores ficaram feridos.
Apesar da resistência, a CDA conseguiu demolir quase 200 casas em um único dia. Posteriormente, a polícia prendeu mais de 350 pessoas, alegando as rigorosas leis antiterroristas do país.
Em 16 de abril, o Tribunal Constitucional Federal emitiu uma ordem histórica que paralisou as demolições. O presidente do tribunal, Aminuddin Khan, ordenou à CDA (Autoridade de Desenvolvimento da Capital) que interrompesse os despejos. Ele deu ao governo 30 dias para criar uma forma legal de reconhecer ou legitimar os bairros. O tribunal também decidiu que “ninguém pode ser despejado da noite para o dia” e que o governo deve fornecer outro local para moradia caso as pessoas sejam removidas.
A comunidade cristã recebeu esta decisão com grande alegria e alívio. O arcebispo Joseph Arshad considerou-a um “passo significativo” rumo à justiça, lembrando a todos que esses residentes são cidadãos iguais que merecem dignidade e proteção legal.
