Cristãos em toda a região central da Nigéria estão realizando funerais após os ataques ocorridos durante e depois da Semana Santa, que deixaram pelo menos 157 mortos em comunidades rurais.
Oito cristãos foram mortos em um ataque noturno na aldeia de Mbwelle, na Área de Governo Local de Bokkos, no estado de Plateau, parte do Cinturão Médio da Nigéria, onde comunidades agrícolas predominantemente cristãs têm enfrentado violência repetida.
As vítimas — identificadas como Iliya Mangut Dakus, Luck Titus Dakus, Habila Istifanu Dakus, Hassan Istifanus Dakus, Hassan Moses Dakus, Biggie Lucky Dakus, Sunday Gideon Dakus e Innocent Barnabas Makwin — eram membros da mesma família extensa, de acordo com relatos locais.
Moradores relataram que o ataque começou por volta das 23h da quinta-feira, 9 de abril, quando homens armados entraram na vila e abriram fogo contra as casas. O tiroteio teria durado quase uma hora, obrigando as famílias a fugirem para o mato ao redor, na escuridão.
Pelo menos outras três pessoas ficaram feridas e estão recebendo tratamento, enquanto alguns moradores permanecem desaparecidos, e as buscas continuam.
Autoridades locais confirmaram o incidente na sexta-feira. O presidente da Área de Governo Local de Bokkos, Samuel Amalau, afirmou que as vítimas eram civis desarmados e pediu aos moradores que permaneçam alertas e cooperem com as agências de segurança, compartilhando informações que possam ajudar a prevenir novos ataques.
Até o momento da publicação desta notícia, as agências de segurança não haviam emitido nenhum comunicado oficial.
Para os sobreviventes, o ataque resultou em mais do que destruição física. Famílias inteiras foram afetadas, com parentes lamentando múltiplas perdas em uma mesma família. Moradores da comunidade afirmam que o padrão de ataques noturnos tornou difícil antecipar ou prevenir a violência.
Os assassinatos no estado de Plateau fazem parte da mais recente onda de ataques relatados em diversas comunidades cristãs na Nigéria durante e após a Semana Santa.
No estado vizinho de Benue, pelo menos 10 cristãos foram mortos em ataques a comunidades nas áreas de governo local de Apa e Agatu, na noite de domingo, 12 de abril.
Moradores relataram que homens armados invadiram a comunidade de Ankpali, no município de Apa, e abriram fogo contra os moradores. O ataque repentino obrigou muitos moradores a fugir para o mato próximo, abandonando casas e pertences. Diversas residências foram danificadas durante o ataque.
Titus Oche Ojobo, um morador que falou após o incidente, disse que as buscas e o resgate continuam, com vigilantes locais e agentes de segurança vasculhando as florestas próximas em busca de pessoas desaparecidas.
As autoridades locais confirmaram que nove pessoas foram mortas na área de governo local de Apa. Em contrapartida, outra pessoa morreu em um incidente separado em Agatu, elevando o número total de vítimas fatais na região para pelo menos 10.
O deputado que representa a circunscrição federal de Apa/Agatu, Pastor Chefe Ojotu Ojema, também confirmou os ataques e pediu um aumento da presença policial nas comunidades afetadas.
Moradores dos estados de Plateau e Benue afirmam que os incidentes recentes refletem um padrão contínuo de violência que se intensificou durante períodos religiosos significativos.
Desde o Domingo de Ramos, a organização International Christian Concern (ICC) registrou mais de 200 nigerianos mortos por milícias fulani, dos quais 157 eram cristãos, em ataques distintos ocorridos nos estados de Plateau, Benue, Kaduna e em partes do sul de Kaduna e Taraba.
Muitos dos ataques seguiram um padrão semelhante: homens armados chegam à noite, abrem fogo contra as aldeias e recuam antes da chegada das forças de segurança. Os sobreviventes frequentemente descrevem a fuga para campos ou florestas próximas, às vezes permanecendo escondidos por horas ou dias.
Em diversas comunidades, as igrejas que acolheram celebrações do Domingo de Ramos e da Páscoa dias antes são agora locais de luto, com famílias deslocadas a procurar refúgio em cidades vizinhas ou em abrigos temporários.
Líderes comunitários afirmam que o momento dos ataques — coincidindo com um dos períodos mais significativos do calendário cristão — aumentou o medo entre os moradores que já enfrentam uma insegurança de longa data.
Em Bokkos, moradores da vila de Mbwelle dizem que a perda de vários membros de uma mesma família agravou o impacto do ataque. Parentes e vizinhos se reuniram nos últimos dias para apoiar os enlutados, embora persistam as preocupações com a possibilidade de novos atos de violência.
Nas áreas afetadas, as atividades agrícolas também foram interrompidas. Abril costuma ser um período crítico para o preparo do solo antes da época de plantio, mas muitos agricultores dizem que não conseguem acessar seus campos devido a preocupações com a segurança.
Fontes locais relatam que algumas famílias começaram a se mudar para cidades maiores em busca de segurança, enquanto outras permanecem em suas comunidades apesar dos riscos, alegando falta de alternativas.
As respostas de segurança variaram entre os estados afetados, com moradores frequentemente relatando atrasos na chegada de equipes durante os ataques. Em muitos casos, grupos de vigilantes locais estiveram entre os primeiros a responder, auxiliando nas evacuações e nos esforços de busca.
Até o momento da publicação desta notícia, as autoridades federais não divulgaram um número oficial completo sobre o total de vítimas relacionadas à recente onda de ataques. As autoridades se referiram aos atacantes como homens armados desconhecidos, bandidos ou criminosos. No entanto, diversas testemunhas oculares disseram ao TPI que os atacantes são milícias muçulmanas Fulani, que gritavam “Allahu Akbar” (Alá é o Maior) antes de matar.
Para muitas comunidades, a prioridade imediata continua sendo localizar os desaparecidos, cuidar dos feridos e enterrar os mortos.
Em Mbwelle e Ankpali, assim como em outras aldeias afetadas, os moradores continuam se reunindo em pequenos grupos, compartilhando informações sobre aqueles que ainda estão desaparecidos e organizando esforços para localizá-los.
Embora a vida cotidiana tenha sido afetada, os membros da comunidade dizem que estão tentando manter as rotinas sempre que possível, mesmo com a incerteza sobre o que os próximos dias podem trazer.
