Israel e o grupo extremista libanês Hezbollah entraram em confronto direto em uma cidade às margens do rio Litani, no sul do Líbano, nesta quarta-feira (27).
Em um comunicado enviado à imprensa, o Hezbollah afirmou que seus combatentes “entraram em confronto direto com as forças inimigas à queima-roupa” na cidade de Zawtar al-Sharqiyah, localizada na extremidade de uma “linha amarela” declarada por Israel.
A “linha amarela” refere-se à zona de demarcação estabelecida por Israel, no sul do dentro do território libanês, para servir como uma zona-tampão militar. O rio Litani tem servido como fronteira entre os dois países.
Horas depois da mensagem do Hezbollah, o Exército de Israel emitiu um alerta de evacuação para os moradores da cidade de Tiro, no sul do Líbano, e áreas vizinhas, afirmando que estava prestes a atacar alvos do Hezbollah na região.
“Aviso urgente aos moradores da cidade de Tiro e dos acampamentos e bairros vizinhos, conforme mostrado no mapa: em vista da violação do acordo de cessar-fogo pela organização terrorista Hezbollah e de seus ataques ao território israelense, as Forças de Defesa de Israel (IDF) se veem obrigadas a agir com firmeza contra ela. As Forças de Defesa de Israel não têm intenção de lhe fazer mal. Para sua segurança, você deve evacuar suas casas imediatamente, de acordo com a área mostrada no mapa, e se deslocar para o norte do rio Zahrani”, escreveu Avichay Adraee, porta-voz do exército israelense em árabe, anexando um mapa da região de Tiro com algumas localidades destacadas.
Mais de 100 alvos do Hezbollah no sul do Líbano e na região leste do Vale do Bekaa foram atacados na noite desta terça-feira (26) – depósitos, centros de comando e pontos de observação usados para atacar tropas israelenses e moradores no norte de Israel -, de acordo com as Forças de Defesa de Israel.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que os ataques israelenses nas últimas horas mataram 31 pessoas e feriram 40.
Apenas um bombardeio, à vila de Mashghara, no leste do país, matou 12 pessoas, sendo vários membros da mesma família, informou a agência de notícias estatal do Líbano.
Os bombardeios tensionam ainda mais o cessar-fogo anunciado em 16 de abril, que tinha como objetivo interromper os combates entre Israel e o grupo extremista.
Intensificação da ofensiva
Na segunda-feira (25), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país iria intensificar a ofensiva no Líbano para “esmagar” o grupo extremista Hezbollah. O movimento acontece no momento em que Estados Unidos e Irã tentam chegar a um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
“Ordenei uma aceleração das nossas operações”, declarou Netanyahu em um vídeo publicado no Telegram.
“Vamos intensificar os golpes, aumentar a potência e esmagar” o Hezbollah, afirmou.
Na sequência, as Forças de Defesa de Israel anunciaram ataques contra alvos do Hezbollah em várias regiões do território libanês.
Israel e Líbano estão em cessar-fogo desde abril. Na prática, porém, a trégua tem sido marcada por trocas de ataques entre as forças israelenses e o grupo extremista.
Israel e Líbano estendem cessar-fogo
Israel afirma que as ações são feitas em legítima defesa e que não violam o acordo de cessar-fogo.
A guerra entre Israel e o Hezbollah é um dos pontos de tensão nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Teerã exige que o conflito na região também seja interrompido para que uma trégua seja alcançada. O Irã apoia o Hezbollah.
Fonte: G1.
