As Forças Armadas de Taiwan realizaram um exercício contra bloqueios durante os jogos de guerra anuais, usando a Marinha e a Guarda Costeira para simular a escolta de um navio mercante, informou o Ministério da Defesa nesta quinta-feira (13), enquanto a China aumenta a pressão marítima sobre a ilha.
Taiwan, que a China considera parte de seu território, há muito tempo teme que Pequim tente isolar a ilha por meio de um bloqueio ou quarentena para forçá-la a se render.
Em junho, a China começou a realizar o que chama de patrulhas de “aplicação da lei” na costa leste de Taiwan, provocando a indignação de Taipei e preocupações em Washington e em algumas outras capitais ocidentais.
Em comunicado, o ministério afirmou que o exercício de escolta contra bloqueios utilizou simulações realistas voltadas para situações de combate, com o objetivo de fortalecer a resposta coordenada entre diferentes órgãos e a resiliência da defesa marítima.
A Marinha trabalhou com embarcações da Guarda Costeira para realizar as tarefas de escolta e proteção, enquanto um navio caça-minas abriu um canal seguro de navegação e conduziu o navio mercante simulado até o porto, acrescentou o ministério.
A Guarda Costeira de Taiwan, que teria um papel auxiliar no apoio à Marinha em tempos de guerra, afirmou que o exercício ocorreu na quarta-feira e que os portos para os quais o navio foi conduzido ficam na costa leste.
Segundo a Guarda Costeira, foi a primeira vez que a corporação trabalhou com a Marinha na realização de um exercício contra bloqueios.
O exercício Han Kuang, de dez dias, começou na semana passada e simula diversos cenários caso a China concretize as ameaças de tentar tomar a ilha à força. O governo democraticamente eleito de Taiwan rejeita as reivindicações de soberania de Pequim.
O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, visitou nesta quinta-feira o estacionamento subterrâneo de um hospital na cidade vizinha de Nova Taipei, que havia sido transformado em uma ala de emergência.
Lai estava acompanhado de diplomatas estrangeiros de alto escalão baseados em Taiwan, incluindo os embaixadores de facto dos Estados Unidos, de Israel e do Canadá. Taiwan tem buscado aprender com Israel sobre suas operações de defesa civil.
Exercícios na ponte de Taipei
Durante outra etapa do exercício, na noite de quarta-feira, soldados instalaram barricadas metálicas, obstáculos de arame farpado e barreiras de concreto em vias que levam a uma importante ponte de Taipei, que poderia ser alvo de um ataque em caso de ofensiva chinesa contra a capital.
Chieh Chung, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan que acompanhava o exercício na ponte, afirmou que, durante uma guerra, a estratégia defensiva dos militares seria estabelecer uma série de zonas de obstáculos que se estenderiam da ponte até zonas de eliminação previamente definidas.
O objetivo da simulação é impedir que o Exército chinês use a ponte para avançar rapidamente em direção a Taipei.
“Eu acredito que os planos militares também incluiriam a destruição dessas pontes, se necessário, garantindo que o Exército de Libertação Popular não pudesse usá-las para atravessar o rio rapidamente e continuar seu avanço”, afirmou Chieh.
Fonte: CNN.
