“Você pode ser o único Jesus que outra pessoa conhecerá na vida.”
A frase, frequentemente compartilhada pelo fundador da Portas Abertas, Irmão André, ajuda a compreender a realidade enfrentada por Sung-Eun (pseudônimo), parceiro da Portas Abertas que atua entre cristãos e refugiados norte-coreanos que fogem para outro país.
Para muitos norte-coreanos, Sung-Eun pode ser o primeiro e o último cristão que conhecerão. Por isso, cada encontro é tratado como uma oportunidade única de apresentar a mensagem do evangelho.
A atuação acontece em um contexto de vigilância constante. Enquanto a Coreia do Norte permanece em primeiro lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026, os riscos para aqueles que ajudam cidadãos norte-coreanos fora do país continuam elevados.
Um ministério marcado pela discrição
Sung-Eun e sua equipe se dedicam a encontrar norte-coreanos que deixaram o país e precisam de ajuda. O trabalho inclui apoio prático, acolhimento temporário em locais seguros e acompanhamento espiritual:
“Nosso ministério é focado em norte-coreanos que estão longe de casa e precisam de ajuda. Procuramos pessoas nessa situação e organizamos encontros discretos para compartilhar o evangelho.”
Segundo ele, a construção da confiança é um processo delicado. Muitos dos que chegam até a equipe demonstram receio e desconfiança, resultado de anos vivendo sob um regime que restringe severamente qualquer acesso ao cristianismo.
Além disso, os parceiros da Portas Abertas precisam lidar com o aumento da vigilância e com a presença de agentes que monitoram atividades ligadas a refugiados norte-coreanos. Em uma ocasião recente, um membro da equipe precisou abandonar temporariamente sua rotina e se esconder após ser identificado por pessoas ligadas à perseguição.
“Foi um período difícil, mas vimos o cuidado de Deus em cada detalhe. Ele já havia preparado um lugar seguro e providenciado tudo de que precisávamos”, relembra Sung-Eun.
Quando cada encontro pode ser o último
Por questões de segurança, as reuniões costumam ser breves. Antes de qualquer contato, todas as informações são verificadas cuidadosamente para evitar riscos para os norte-coreanos e para os parceiros envolvidos.
“Compartilhamos o evangelho sabendo que cada encontro pode ser o último.”
Sung-Eun
Ele explica que muitos procuram ajuda inicialmente por necessidade material. No entanto, com o tempo, alguns passam a demonstrar interesse pela mensagem cristã:
“Eles geralmente chegam muito cautelosos. Mas, quando percebem a sinceridade do que estamos compartilhando, algo muda. Aos poucos, a palavra encontra caminho em seus corações.”
Para Sung-Eun, essa realidade reforça a importância de comunicar o evangelho com clareza.
“Precisamos compartilhar a mensagem pensando que talvez sejamos o primeiro e o último cristão que aquela pessoa encontrará durante toda a vida.”
Sung-Eun
Passagens bíblicas que fortalecem a missão

Duas passagens bíblicas acompanham Sung-Eun em seu trabalho. A primeira é João 21, quando Jesus diz a Pedro: “Cuide das minhas ovelhas”.
“Essas pessoas não são minhas ovelhas; pertencem ao Senhor. Ele nos permite participar da obra dele e é isso que me dá confiança para continuar.”
Sung-Eun
A segunda passagem é Hebreus 9.27. Segundo o parceiro local, muitos norte-coreanos vivem sob extrema pressão para sustentar suas famílias. Essa realidade abre espaço para conversas profundas sobre propósito, esperança e fé.
Sementes de fé em meio à escuridão
Entre as lembranças mais marcantes de sua trajetória, Sung-Eun destaca o batismo de dois jovens norte-coreanos que decidiram seguir a Cristo após um período de discipulado e estudo bíblico.
“Eles desejavam aprender mais para compartilhar o que descobrissem com suas famílias. Aquela experiência renovou minha esperança de que o Reino de Deus continuará crescendo por meio de pessoas como eles.”
Sung-Eun
Mesmo diante dos desafios, Sung-Eun acredita que Deus continua levantando homens e mulheres que permanecem fiéis a Cristo, apesar dos riscos.
“O cenário parece sem esperança, mas Deus continua trabalhando. Existem muitos cristãos secretos estudando a Bíblia e permanecendo firmes na fé, independentemente das consequências.”
Sung-Eun
Histórias reais de cristãos reais
Ao falar com os cristãos que apoiam a missão da Portas Abertas, Sung-Eun faz um apelo para que a Igreja Perseguida não seja esquecida.
“Esses cristãos são nossos irmãos e irmãs em Cristo. As histórias de perseguição são reais. Mesmo que não possamos ver tudo o que acontece, a igreja secreta existe e continua precisando de oração, amor e apoio.”
Sung-Eun
Por razões de segurança, muitos detalhes não podem ser divulgados. Nomes, locais e circunstâncias frequentemente precisam ser alterados para proteger os envolvidos.

Ainda assim, Sung-Eun reforça que a necessidade permanece urgente:
“Por meio das orações e do apoio dos cristãos ao redor do mundo, muitos conseguem permanecer firmes e continuar compartilhando o evangelho.”

