Home Arqueologia BíblicaArca de Noé? Mapa babilônico traz pistas sobre embarcação do Dilúvio

Arca de Noé? Mapa babilônico traz pistas sobre embarcação do Dilúvio

por Últimos Acontecimentos
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Um mapa de argila com cerca de 2.900 anos pode guardar indicações sobre o lugar onde os antigos babilônios acreditavam estar os restos de uma embarcação que sobreviveu ao Dilúvio.

O que aconteceu

Conhecido como Imago Mundi, o artefato é associado pelo assiriólogo Irving Finkel, do Museu Britânico, à tradição mesopotâmica que apresenta semelhanças com a história da Arca de Noé. Em um vídeo publicado no canal The British Museum, o pesquisador explica como os desenhos e as inscrições da tabuleta podem ser relacionados a essa narrativa. Sua interpretação trata das crenças daquela civilização, sem comprovar a existência ou a localização física da arca.

Considerado um dos mapas mais antigos conhecidos a representar o mundo, o Imago Mundi pertence ao Museu Britânico, em Londres. A tabuleta foi encontrada em uma caixa ligada às escavações de Hormuzd Rassam em Sippar, no atual Iraque. No entanto, pesquisadores também discutem a possibilidade de que a peça tenha vindo de Borsippa, outra cidade da antiga Mesopotâmia.

Um mundo cercado por água
A tabuleta mede 12,2 por 8,2 centímetros. O desenho apresenta uma área circular cercada por um anel de água, identificado como “Rio Amargo”. Babilônia aparece como um retângulo atravessado por linhas que representam o Eufrates. Outros nomes incluem Assíria, Der e Urartu.

Além desse círculo, existem regiões triangulares chamadas de nagû, interpretadas por diferentes pesquisadores como ilhas, regiões ou montanhas. Finkel defende a última possibilidade. As descrições desses lugares misturam paisagens distantes, seres fantásticos e histórias tradicionais. “É claro que, provavelmente, ninguém nunca foi até lá. Estamos falando do mundo imaginativo da cosmologia, da teologia, da tradição, das ideias herdadas?”, afirma Finkel no vídeo do Museu Britânico.

Pista está no verso
A leitura ganhou um elemento importante em 1995, quando Edith Horsley, aluna de Finkel e voluntária do museu, identificou um fragmento que se encaixava na tabuleta. A peça ajudou a relacionar os triângulos às descrições registradas no verso.

Uma delas orienta o viajante a seguir até a quarta região. Ali, o texto menciona algo “tão espesso quanto um recipiente parsiktu”, conforme a tradução apresentada por Finkel no vídeo. A comparação chamou a atenção do pesquisador por também aparecer em um relato babilônico sobre a construção da embarcação do Dilúvio.

Na interpretação de Finkel, a passagem descreve peças de madeira do casco que teriam permanecido em uma montanha depois que as águas baixaram. Ele também relaciona Urartu, nome presente no mapa, ao nome bíblico Ararat.

A associação é discutida por Paul Delnero, da Universidade Johns Hopkins, em um artigo no Journal of Ancient Near Eastern History. O pesquisador registra que Finkel identifica a quarta região como o lugar onde a embarcação de Atramhasis, personagem mesopotâmico, teria repousado.

Tradição antiga
No vídeo, Finkel propõe imaginar uma viagem no tempo à antiga Mesopotâmia para compreender o significado dessas indicações. É nesse contexto que apresenta sua conclusão. “Assim, pela primeira vez, podemos afirmar com autoridade que, se fôssemos antigos babilônios, saberíamos aonde ir para ver os restos daquela maravilhosa embarcação”, diz no canal The British Museum, no YouTube.

A interpretação já aparecia no livro de Finkel A arca antes de Noé, publicado em 2014. Delnero também ressalta que o significado completo do mapa permanece em debate.

O Imago Mundi oferece, assim, uma pista sobre onde os babilônios imaginavam que a embarcação do Dilúvio havia parado. As inscrições ajudam a conhecer essa tradição, mas não demonstram que os restos da Arca de Noé tenham sido encontrados.

Fonte: UOL.

02 de outubro de 2026.

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