No dia 5 de outubro, em Alexandria, Egito, Sherif Wagih Fahmi foi preso pela Segurança Nacional, que apareceu em sua casa sob falsos pretextos. O engenheiro copta de 41 anos teria sido acusado de falar contra o Islã.
Por volta das 13h, dois homens vestidos casualmente chegaram ao prédio de apartamentos de Sherif. Eles perguntaram onde ele morava, e os vizinhos logo os encaminharam para o local correto.
Quando bateram à porta, sua filha pequena atendeu. Percebendo a hesitação dela em deixá-los entrar, pediram que ela dissesse ao pai que eram da companhia de gás. Sherif os recebeu na porta e concordou em entrar com eles, dizendo à filha: “Vou pagar o gás”.
Segundo Emy, irmã de Sherif, em entrevista exclusiva à Coptic Solidarity, os vizinhos acharam a situação suspeita e gravaram os homens o escoltando até uma minivan branca. Por receio, não avisaram a família imediatamente nem mostraram o vídeo.
Pagar um preço injusto
As horas passaram e Sherif continuava desaparecido. Sua esposa ficou nervosa e começou a perguntar a todos que conhecia sobre o seu paradeiro. Finalmente, amigos descobriram que ele estava detido no escritório de Segurança Nacional em Alexandria.
Sherif foi preso por expressar suas opiniões online sobre a imposição do ensino islâmico a estudantes em todo o país. O artigo 98(f) do Código Penal egípcio criminaliza “qualquer uso da religião para promover ou defender ideologias extremistas… com o objetivo de incitar a sedição, menosprezar ou demonstrar desprezo por qualquer religião divinamente revelada, ou prejudicar a unidade nacional e a harmonia social”.
O caso dele evidencia a repressão contra todas as religiões não reconhecidas pelo Estado. Desde setembro, 14 pessoas foram presas por expressarem crenças não islâmicas.
Mahmoud Shalaby, pesquisador regional da Anistia Internacional, pediu às autoridades que ponham fim às suas leis excessivas.
“As autoridades egípcias devem parar de criminalizar discussões sobre crenças religiosas, incluindo aquelas consideradas divergentes das visões socialmente dominantes, ou mesmo aquelas que visam simplesmente refletir e questioná-las”, disse ele no início deste ano.
A organização Christian Solidarity Worldwide também expressou sua desaprovação em relação à crescente ameaça que o governo representa para as “liberdades de religião, crença e expressão”.
