Yakob (pseudônimo) cresceu em uma região da Etiópia com forte presença de grupos ultraconservadores da Igreja Ortodoxa Etíope. Mesmo inserido nesse contexto, ele não sabia verdadeiramente quem era Jesus.
Para Yakob, conhecer Jesus trouxe um novo sentido à vida, algo que deseja compartilhar com sua comunidade na Etiópia.
“A diferença entre minha antiga vida e hoje é como da água para o vinho. Eu não sabia nada sobre quem era Jesus. Agora, tenho a vida eterna. Conheço o Senhor.”
— Yakob
O primeiro contato de Yakob com a Bíblia
Na região em que Yakob cresceu na Etiópia, o evangelho é reduzido a rituais combinados com elementos de religiões tradicionais locais. Ali, a crença no poder sobrenatural da água benta, dos sacrifícios de animais e a busca por curandeiros são práticas comuns.
Quando estava no décimo ano da escola, um de seus melhores amigos abandonou essas tradições e tornou-se membro de uma igreja protestante. Isso despertou a curiosidade de Yakob, que começou a frequentar os cultos e as reuniões de oração.

Ali, Yakob estudou a Bíblia pela primeira vez na vida. Ele relata que ter contato direto com a Bíblia o transformou profundamente.
“O primeiro texto que li foi o salmo 91. Comecei a chorar.”
— Yakob
Isolamento e discriminação da família de Yakob
Pouco a pouco, o evangelho passou a fazer sentido para Yakob. Ele entendeu quem Jesus era e o aceitou como seu Salvador pessoal. Foi quando ele também descobriu a oposição que enfrentaria por seguir a Jesus.
Por meio de Yakob, alguns membros de sua família também conheceram Jesus e deixaram a Igreja Ortodoxa local. Com isso, tornaram-se alvo de grupos ultraconservadores do clero etíope.
Por um mês, os sacerdotes se juntavam na casa de Yakob e diziam a todos que passavam que deveriam se afastar daquela família, pois estava amaldiçoada.
Amaldiçoados e contaminados
Comerciantes passaram a não vender mais suas mercadorias a eles porque seu dinheiro era “maligno”. Eles também foram proibidos de buscar água no poço sob a alegação de que a “contaminariam”.
Qualquer pessoa que ajudasse a família de Yakob, segundo a advertência dos sacerdotes ultraconservadores, entraria em contato com o “mal”, teria que se arrepender e precisaria ser purificada com água benta.
“Às vezes, quando estávamos na rua, as crianças fugiam de nós porque disseram a elas que tínhamos mau-olhado. Algumas pessoas atravessavam a rua quando nos viam.”
— Yakob
Até antigos amigos chegavam a eles desconfiados, perguntando: “Se dissermos ‘olá’, o espírito maligno de vocês vai entrar em nós?”.
Perseguição violenta
A perseguição não se limitava à discriminação e ao ostracismo. Por vezes, tomava proporções violentas.

Certa vez, por exemplo, uma multidão enfurecida de ortodoxos ultraconservadores atirou pedras na igreja protestante durante o culto. As pessoas que fugiram do ataque, se esconderam entre bananeiras próximas, mas a mãe de Yakob não foi rápida o suficiente.
“Eles arrastaram minha mãe para a beira da estrada. Um agressor segurou seus braços, outro suas pernas e um terceiro bateu em seu rosto. Ela ainda não se recuperou totalmente do episódio.”
— Yakob
Qual o motivo para tanta violência? Os agressores acusaram Yakob e sua mãe de trazerem influências estrangeiras para a comunidade e afirmaram que eles não tinham mais permissão para viver ali.
Mais perseguidos, mais ousados
Mesmo diante da pressão, Yakob escolheu permanecer na região. Sua decisão está ligada ao desejo de que outras pessoas tenham acesso ao mesmo conhecimento que ele encontrou.
“Eles precisam ouvir o evangelho. Oro para que eles conheçam Jesus.”
— Yakob
Para que isso aconteça, ele e outros cristãos estão sempre evangelizando nas ruas com autofalantes.
Yakob também fundou uma pequena igreja para esses cristãos, ele construiu um templo em um terreno de sua família. A construção foi difícil, sabotada. Muita madeira foi roubada.
Mas ele não se deixou abater. Pelo contrário:
“Quanto maior a perseguição, mais o evangelho se espalha.
No momento, estamos vivendo sob perseguição. Mas louvado seja o Senhor. Novos cristãos têm se juntado a nós. O evangelho está sendo proclamado.
Orem para que sejamos fortalecidos a cada dia, para que possamos continuar aqui e pregar sobre Jesus.”
— Yakob.
Desafios da nova geração de cristãos na Etiópia
Yakob diz que os jovens têm se mostrado abertos a Jesus. Mas quando o aceitam, imediatamente começam a sofrer grande pressão da família, com agressões verbais, ameaças e expulsões de casa em contextos ultraconservadores.
“Alguns agora moram na igreja, outros foram embora da região ou retornaram para a Igreja Ortodoxa Etíope por causa da pressão”, conclui o cristão.
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