Crianças voltam às aulas nesta terça-feira na República Democrática do Congo em meio ao maior surto de Ebola já registrado no país. A Al Jazeera ouviu pais, professores e autoridades locais sobre o temor de que as escolas ampliem o contágio.
O que aconteceu
O país soma 6.041 casos confirmados e 2.911 mortes por Ebola até 31 de agosto. Seis das 26 províncias congolesas registram casos, e Ituri, no nordeste, é o epicentro, com 4.802 confirmações até 26 de agosto.
O governo não fechou todas as escolas e adotou regras diferentes conforme o risco de transmissão. Nas áreas de maior risco, estudantes vão estudar em casa com apostilas e programas de rádio, informou o Ministério da Educação.
Quarenta das 138 subdivisões educacionais nas províncias afetadas registram impacto do surto. Dezoito delas foram classificadas como de alto risco, disse em 18 de agosto a ministra da Educação, Raissa Malu.
As regiões foram divididas em três grupos: verde, sem transmissão relatada; laranja, com casos e precauções extras; e vermelho, de maior risco. Famílias sem rádio também podem receber aparelhos para acompanhar as atividades escolares em casa.
Famílias e professores temem contágio
Pais de Bunia, capital de Ituri, questionam a reabertura das escolas durante o avanço do surto. Dieudonne Lotsima, pai de três crianças, diz que as aulas deveriam ser adiadas até haver uma vacina específica: “As crianças podem não lavar as mãos e, se forem infectadas, correm o risco de infectar toda a família.”
Professores também cobram medidas básicas de segurança antes do retorno presencial. Budju Lobo Isaac, do Comitê Inter-Sindical de Professores de Ituri 1, afirma: “Não podemos sacrificar a vida de crianças e professores apenas para cumprir um calendário.”
Vírus não tem vacina aprovada
O atual surto é causado pelo vírus de Bundibugyo, uma espécie de ebolavírus diferente do Zaire ebolavirus, responsável pela maior parte dos surtos anteriores no país. Não há vacina ou tratamento aprovados especificamente contra esse vírus.
A vacina Ervebo, aprovada contra o Zaire ebolavirus, é aplicada em profissionais de saúde da linha de frente. A eficácia dela contra o Bundibugyo ainda não foi estabelecida, e a Organização Mundial da Saúde apoia um teste clínico sobre essa proteção.
Autoridades educacionais treinam servidores de Ituri para orientar escolas sobre prevenção e identificação de comportamentos de risco. O responsável pela resposta ao surto nos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças, Yap Boum, avalia que alunos também podem levar informações de prevenção às famílias.
Fonte: UOL.
