A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo provoca uma morte a cada 30 minutos, alertou na sexta-feira, 14 de agosto, o chefe das operações humanitárias da ONU, chamando a comunidade internacional a “despertar e a se mobilizar”.
“O Ebola está avançando na República Democrática do Congo (RDC). Não podemos deixar o vírus ultrapassar nossa resposta”, declarou Tom Fletcher, chefe das operações humanitárias da ONU, em comunicado divulgado na sexta-feira, 14 de agosto, após uma reunião de emergência com dirigentes das agências das Nações Unidas.
A RDC declarou em 15 de maio sua 17ª epidemia de Ebola. Três meses depois, a resposta sanitária ainda luta para acompanhar o avanço do vírus, enquanto as estruturas de saúde, entre as mais precárias do mundo, sofrem com falta generalizada de recursos.
A epidemia “é a mais rápida já registrada”, “mata uma pessoa a cada 30 minutos”, destacou Fletcher. “Mais de 2 mil pessoas já morreram. Muitas outras estão em risco. O mundo precisa despertar e se mobilizar”, pediu.
Mais de 2 mil mortos
A onda de Ebola mais letal já enfrentada pelo país provocou quase 2.300 mortes entre 3.500 casos registrados entre 2018 e 2020.
A epidemia atual já causou 2.128 mortes, em 4.566 casos confirmados, apenas três meses após sua declaração, segundo o último balanço das autoridades congolesas. “Desloquei hoje 20 novos profissionais para a linha de frente. Mas isso é um alerta. Precisamos de rapidez, de recursos em larga escala e de solidariedade” para evitar “que o vírus avance ainda mais”, afirmou Fletcher.
Ele também liberou US$ 30,5 milhões (cerca de R$ 159 milhões) adicionais do Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU (Cerf) para reforçar a resposta sanitária. “Esse montante se soma aos US$ 24 milhões (mais de R$ 125 milhões) já destinados à RDC e a quatro países vizinhos” para enfrentar a epidemia, acrescentou.
Do total de US$ 518 milhões (R$ 2,7 bilhões) necessários ao plano conjunto de preparação e resposta lançado no início de junho pelo Africa CDC e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas US$ 264 milhões (R$ 1,3 bilhão) foram mobilizados até agora, alertou a OMS na quarta-feira.
Não há, por enquanto, vacina nem tratamento específico disponível para o variante Bundibugyo, responsável pela epidemia.
Fonte: RFI.
