Os holofotes globais brilham intensamente sobre o Estreito de Ormuz enquanto o mundo observa poderosos atores competindo pelo sucesso, aguardando para ver como essa cena se desenrolará ao final desse drama violento. No fim, quem encerrará essa apresentação atravessando o palco com mais poder? Os vencedores serão Israel, Irã, os EUA ou alguém mais? Alguém sairá vitorioso?
O Estreito de Ormuz já serviu de palco para tais espetáculos muitas vezes. Reconhecido como uma via navegável estratégica desde pelo menos a época de Alexandre, o Grande — há 2.300 anos —, este estreito atrai a atenção de gerações sucessivas de poderosos — cada geração calculando com olhos ambiciosos e a esperança ardente de estabelecer superioridade naval e, com ela, colher lucros econômicos inesperados.
No século XVI, a marinha portuguesa subjugou os habitantes locais e estabeleceu um forte na ilha de Ormuz, que mais tarde defendeu contra o Império Otomano. Como o petróleo ainda não havia sido descoberto, os portugueses prosperaram no Estreito controlando o comércio de seda, especiarias e cavalos árabes. No século XVII, a Companhia Britânica das Índias Orientais — em aliança com Abbas I da Dinastia Safávida — expulsou os portugueses e estabeleceu um novo poder na região.
O poder da Companhia das Índias Orientais e da Dinastia Safávida cedeu lugar, por fim, a novos atores. Após a descoberta de petróleo em 1908, o Estreito tornou-se uma alavanca lucrativa para o Irã. Na década de 1950, os EUA uniram-se aos militares britânicos para retomar o controle do Estreito e manter o motor econômico das exportações do Oriente Médio — especialmente o petróleo — ao longo do século XX. As disputas mais notáveis pelo controle ocorreram nas décadas de 1950 e 1980, e em 2012, quando os EUA, a França e a Grã-Bretanha enviaram navios de guerra pelo Estreito, desafiando a ameaça iraniana de fechá-lo ao Ocidente.
