Três pastores da igreja tribal Thadou Baptist Association (TBA) da Índia foram mortos e outros quatro ficaram feridos em uma emboscada armada em 13 de maio no distrito de Kangpokpi, em Manipur.
Aproximadamente 10 homens armados usaram armas automáticas para alvejar dois veículos que transportavam líderes religiosos quando retornavam de uma conferência de paz e reconciliação em Churachandpur.
Os assassinatos desencadearam uma onda de sequestros e tomadas de reféns em represália entre grupos armados rivais em vários distritos, fragmentando ainda mais o já frágil ambiente. O incidente causou pânico imediato e profunda indignação nas comunidades tribais de todo o estado, provocando protestos espontâneos e bloqueios de rodovias.
A Kuki Inpi Manipur (KIM) e a Kuki Organization for Human Rights Trust (KOHUR) alegaram o envolvimento da Frente Unida Zeliangrong (ZUF), especificamente da facção Kamson, possivelmente em coordenação com grupos insurgentes baseados no vale, na emboscada e nos assassinatos.
O Rev. Dr. Sitlhou foi um proeminente defensor da paz, tendo recentemente liderado uma delegação a Nagaland para mediar a reconciliação entre as comunidades Kuki e Tangkhul Naga. Ele foi um notável articulador, trabalhando no diálogo entre os dois grupos.
O Ministro-Chefe de Manipur, Yumnam Khemchand Singh, condenou o incidente e pediu justiça rápida.
Singh condenou a emboscada como um “ato de violência sem sentido” e prometeu disponibilizar todos os recursos do estado para levar os perpetradores à justiça. Os governadores de Nagaland, Meghalaya e Mizoram também expressaram profunda indignação.
Reféns libertados
O cenário de conflito em Manipur envolve três grandes grupos étnicos: os Meiteis, os Nagas e as comunidades Kuki-Zo. Esses grupos vivem, em grande parte, em faixas e áreas geográficas separadas, onde cada um constitui uma maioria local. O assassinato ocorreu em meio a tensões persistentes entre as comunidades Meitei e Kuki-Zo, após a violência étnica que eclodiu em 3 de maio de 2023.
“O que começou com questões relativas ao estatuto de tribo indígena, direitos à terra, governança florestal e preocupações demográficas, transformou-se agora num perigoso confronto triangular envolvendo os Meiteis, os Kuki-Zo e os Nagas”, afirmou John Dayal, um conhecido ativista dos direitos humanos, em reportagens da imprensa.
Após a morte dos pastores, facções fortemente armadas — em grande parte alinhadas com os grupos Kuki-Zo e Naga — começaram a deter civis de facções tribais rivais nos distritos de Kangpokpi e Senapati.
Autoridades estaduais relataram que pelo menos 38 civis, incluindo mulheres e outras figuras religiosas, foram feitos reféns por milícias rivais em represália e levados para locais não divulgados.
A crise desencadeou temores generalizados de guerra civil. Para evitar uma maior deterioração, autoridades do governo de Manipur, forças de segurança e líderes religiosos iniciaram negociações de emergência.
Em 15 de maio, o diálogo levou à libertação de cerca de 30 reféns em um formato de “troca” localizada.
Apesar do retorno seguro de muitos reféns, organizações da sociedade civil que representam as tribos Kuki Zo relataram que alguns indivíduos permanecem em cativeiro e temem-se que estejam mortos, o que provocou mais protestos em locais como Nova Delhi, a capital da Índia.
Entretanto, Haominlun Sitlhou, filho do Rev. Dr. Sitlhou, declarou publicamente que perdoou os assassinos de seu pai em nome da paz, ao mesmo tempo que apelou pela libertação de outros civis mantidos em cativeiro.
