Mais de 180 famílias cristãs em 32 aldeias do distrito de Kanker, em Chhattisgarh, na Índia, teriam sido privadas do acesso a fontes de água comunitárias e oportunidades de subsistência nas últimas três semanas como punição por se recusarem a abandonar a fé cristã.
Muitas famílias cristãs na região de Antagarh, no distrito, foram proibidas de usar rios, lagoas, torneiras e bombas manuais comunitárias. Ao mesmo tempo, indivíduos foram impedidos de trabalhar em um programa de emprego do governo, e famílias foram proibidas de coletar e vender produtos florestais.
Negação dos Recursos Naturais
O distrito de Kanker, no estado de Chhattisgarh, na Índia central, é predominantemente habitado por tribos indígenas e possui vastas áreas de florestas decíduas. As principais fontes de subsistência dessas comunidades tribais, também conhecidas como Adivasis, são a agricultura de subsistência e a coleta de Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM).
Essas duas atividades estão profundamente interligadas, com as florestas atuando como uma rede de segurança econômica vital para a segurança alimentar e renda complementar para os Adivasis.
Os povos tribais utilizam os abundantes recursos florestais do estado para coletar produtos para consumo próprio e vender os excedentes em mercados semanais locais, conhecidos como “haat-bazars”.
Por exemplo, as folhas de tendu, usadas para enrolar bidis, ou cigarros locais, são uma importante fonte de renda, fortemente apoiada pelos programas estaduais de preço mínimo garantido (PMG). Outros produtos incluem flores e sementes de mahua, coletadas para alimentação, extração de óleo e fabricação de bebidas alcoólicas tradicionais, além de chironji, amla, tamarindo, mel e bambu.
Agora, esses produtos da floresta estão sendo negados aos cristãos Adivasi, juntamente com a água, uma necessidade vital, especialmente durante o calor escaldante do verão deste ano.
Problemas relatados
Alega-se que cerca de 26 famílias tiveram o acesso negado a fontes de água, como bombas manuais, torneiras, lagoas e rios.
Segundo relatos, cerca de 41 famílias tiveram suas oportunidades de emprego negadas no âmbito da Lei Nacional de Garantia de Emprego Rural Mahatma Gandhi (MGNREGA). Mais de 100 famílias teriam sido excluídas das atividades de coleta de folhas de tendu.
E a lenha usada para cozinhar para quatro famílias — cerca de quatro cargas de trator — teria sido levada à força.
Agora, essas famílias temem que não lhes seja permitido cultivar suas terras agrícolas durante a estação chuvosa, trabalhar em suas fazendas ou colher a laca das árvores.
Pressão para abandonar a fé
Líderes da comunidade cristã afirmaram que esses boicotes severos visam pressionar os fiéis a abandonar sua fé e participar de programas de Ghar Wapsi, ou “retorno ao lar”, que significa reconversão ao hinduísmo.
Essas áreas dos distritos de Kanker já foram palco de tensões mais amplas no passado, com diversas autoridades locais emitindo resoluções para restringir sepultamentos cristãos e a entrada de pastores. Muitas dessas situações, sobre as quais a International Christian Concern (ICC) já relatou, terminaram violentamente, com a polícia e as administrações distritais incapazes de tomar medidas decisivas para impedir as atrocidades.
Grupos extremistas e líderes de aldeias frequentemente impõem essas proibições cortando o acesso a rios, lagoas e bombas manuais, impedindo os cristãos de cultivar a terra e até mesmo bloqueando locais de sepultamento para fiéis falecidos.
Queixas inúteis
Representantes de organizações de direitos civis de Chhattisgarh, como a Aliança Cristã Progressista e a Jila Masih Astha Samaj, apresentaram queixas por escrito à administração distrital e às autoridades policiais a respeito da recusa de fornecimento de água e das ameaças.
Apesar dessas queixas, as comunidades afetadas continuam a enfrentar graves dificuldades.
