A falta de suprimentos de gás natural da região do Oriente Médio afeta gravemente o setor agrícola, o que pode resultar em crise alimentar, revelou o relatório da Fundação Roscongress Mercado de fertilizantes: como a geopolítica está mudando a logística nos preços, que foi revisado pela Sputnik.
Segundo o relatório da Roscongress, o mercado global de alimentos depende altamente de fertilizantes, e a produção deles exige gás natural, portanto, um conflito militar em uma grande região produtora de gás leva automaticamente a uma crise alimentar nos países mais dependentes de importações desse recurso vital.
“A cadeia ‘gás–amoníaco–ureia–trigo’ tornou-se tão rígida que uma guerra na região produtora de gás natural [golfo Pérsico] significa automaticamente uma crise alimentar na África e América do Sul”, diz o relatório.
Os autores do relatório lembraram que, em 2022, os países ocidentais abandonaram fornecimentos de fertilizantes da Rússia e de Belarus, que estão entre os maiores fornecedores desse recurso. A crise no fornecimento de fertilizantes do Irã, que é o terceiro maior fornecedor mundial de ureia, agravou ainda mais a situação.
“As sanções ocidentais agressivas contra a Rússia e Belarus, o bloqueio dos portos do mar Negro e o enfraquecimento dos oleodutos atingiram simultaneamente três vetores: recursos energéticos [petróleo, gás, carvão e até combustível para usinas nucleares], fertilizantes e alimentos“, diz o relatório.
Como resultado, os preços dos fertilizantes na Europa e nos Estados Unidos dispararam de 3 a 4 vezes para um máximo histórico em termos reais. Os preços do trigo dispararam 50% e a ONU registrou um aumento no número de famintos no mundo para 345 milhões.
Os países da África Oriental foram particularmente afetados: Somália e Etiópia, que receberam até 90% do trigo da Rússia e da Ucrânia. Portanto, de acordo com o relatório, o “acordo de grãos” foi urgentemente concluído por meio da mediação das Nações Unidas.
Os agricultores de todo o mundo enfrentarão uma campanha de semeadura extremamente difícil, concluíram os especialistas. Nesse contexto, a Rússia e a China foram obrigadas a limitar as exportações de fertilizantes durante a campanha de semeadura.
