Refugiados afegãos e outros grupos vulneráveis foram profundamente afetados pelos retrocessos nas liberdades fundamentais do Paquistão em 2025. Segundo o Relatório Anual 2025 da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), mais de um milhão de afegãos foram deportados no ano passado.
Muitos refugiados que viviam há décadas no Paquistão foram enviados para locais onde nunca viveram, sob incertezas relacionadas à segurança, moradia e subsistência. O relatório do HRCP explica que o enfraquecimento da liberdade de expressão e do Estado de direito afetou cerca de dois milhões de refugiados afegãos que vivem no Paquistão.
O aumento das deportações ocorreu em meio ao aumento das tensões entre Paquistão e Afeganistão. A situação continua preocupante em 2026.
Deportações aumentam riscos para cristãos afegãos
Organizações de direitos humanos relataram o aumento de detenções arbitrárias e operações contra refugiados afegãos.
Um parceiro local da Portas Abertas, cuja identidade é preservada por razões de segurança, afirmou que as deportações continuam ocorrendo e que alguns cristãos afegãos já foram enviados de volta ao Afeganistão:
“Infelizmente, sabemos que alguns cristãos foram deportados e perdemos o contato com eles. Os refugiados estão constantemente à mercê das pessoas ao seu redor, como proprietários de imóveis, vizinhos e até outros refugiados.
Em muitos casos, a questão gira em torno de dinheiro. Por exemplo, autoridades oferecem recompensas por informações sobre refugiados e sobre os lugares onde eles se escondem.”
Para cristãos afegãos de origem muçulmana, o retorno representa um risco ainda maior. Sob o governo do Talibã, abandonar o islamismo pode resultar em severas punições.
“Os que correm maior risco quando são detidos são os jovens, os solteiros, os órfãos e aqueles que não estão acompanhados por um parente do sexo masculino, especialmente mulheres e meninas.
O risco de abuso ou violência sexual é extremamente alto. Homens podem enfrentar tortura e até a morte quando são deportados e identificados pelo Talibã. Mães solos e viúvas são frequentemente forçadas a se casar com um muçulmano”, acrescenta o parceiro local.
A perseguição aos cristãos no Afeganistão permanece uma das mais severas do mundo.
Cristãos paquistaneses também enfrentam discriminação
Além das dificuldades enfrentadas pelos refugiados, o relatório da HRCP destacou que as desigualdades estruturais continuam afetando as minorias religiosas no Paquistão.
Os cristãos vivem sob constante pressão social e religiosa. Acusações de blasfêmia continuam sendo usadas para resolver disputas pessoais e comerciais, além de alimentarem episódios de violência coletiva.
A discriminação afeta diversas áreas da vida cotidiana, incluindo acesso a oportunidades de trabalho, educação e proteção jurídica. Mulheres cristãs também permanecem vulneráveis a sequestros, casamentos forçados e conversões forçadas.
Pedidos de oração de cristãos e refugiados afegãos
- Livramento dos refugiados afegãos que vivem sob o risco de prisão e deportação no Paquistão.
- Fortalecimento de cristãos afegãos que enfrentam ameaças por causa de sua fé.
- Proteção para mulheres, crianças, órfãos e viúvas em situação de vulnerabilidade.
