As interrupções prolongadas no transporte marítimo pelo estreito de Ormuz podem provocar escassez de fertilizantes e aumento dos preços em todo o mundo, afirmou à Sputnik o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês), Máximo Torero.
“Essas medidas prolongadas podem manter o mercado de fertilizantes sob pressão, obrigando os países importadores a reduzir as compras ou recorrer a fornecedores alternativos, com custos mais elevados”, disse Torero.
O especialista ressaltou que os efeitos não se limitarão aos países que compram fertilizantes diretamente das nações do golfo Pérsico. “Os preços internacionais mais altos afetarão agricultores em todo o mundo”, observou o economista.
Segundo Torero, até um terço dos fertilizantes comercializados no mercado mundial passam pelo estreito. Os países do golfo Pérsico respondem por cerca de 30% a 35% das exportações mundiais de ureia e por 20% a 30% das exportações de amônia.
O economista destacou que, diferentemente do petróleo, os fertilizantes não contam com rotas alternativas de transporte por oleodutos nem com reservas estratégicas internacionais de escala comparável.
“Embora alguns fluxos comerciais tenham sido parcialmente restabelecidos, as interrupções nas exportações dos países do Golfo Pérsico, somadas ao aumento dos custos de frete e dos prêmios de seguro, continuam afetando a disponibilidade de fertilizantes e seus preços”, explicou.
Torero alertou que o aumento dos custos e a escassez de fertilizantes podem levar os produtores agrícolas a reduzir sua aplicação nas lavouras, com consequências negativas para a produtividade e o volume da produção agrícola nas próximas safras. Segundo ele, esse cenário representa riscos para a segurança alimentar, sobretudo nos países de baixa renda e altamente dependentes da importação de fertilizantes.
Os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã em 28 de fevereiro, e Teerã respondeu com ataques próprios. Em meados de junho, o Irã e os Estados Unidos assinaram um memorando para interromper as hostilidades, mas posteriormente voltaram a trocar ataques.
