No Butão, país que ocupa a 34ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026, cristãos continuam enfrentando dificuldades para exercer publicamente a fé. Um dos casos mais recentes envolve o pastor Rajen, que recorreu à Justiça após autoridades municipais interromperem o fornecimento de água e energia de seu prédio por causa da realização de cultos cristãos.
Segundo informações publicadas pelo jornal local The Bhutanese, o pastor tentava obter autorização para utilizar um cômodo de sua casa como local de culto. O pedido foi negado em julho de 2023 porque a religião cristã não é reconhecida oficialmente no Butão.
Sem lugar para adorar no Butão
Desde que começou a construir sua casa, o pastor Rajen solicitou a autorização para realizar os cultos com os cerca de 30 cristãos que discipulava, oferecendo o porão da residência que estava preparando para os encontros, pois não há igrejas reconhecidas pelo Butão.
Em setembro de 2024, quase um ano após a primeira negativa de permissão das autoridades, o pastor concluiu a obra e realizou encontros dominicais com cristãos locais, mesmo sem autorização oficial, que ainda aguardava.
No mês seguinte, autoridades municipais interromperam primeiro o fornecimento de água e, posteriormente, o de eletricidade. O pastor relatou que a restauração dos serviços estaria condicionada ao encerramento das reuniões religiosas no local.
Ação judicial pela liberdade religiosa
A interrupção afetou não apenas a família do pastor, mas também famílias de inquilinos que vivem no mesmo prédio. Diante da situação, o pastor Rajen apresentou uma ação judicial contra a administração local, defendendo seu direito à liberdade religiosa.
As autoridades suspeitam que o pastor esteja envolvido em conversões religiosas manipuladas, mediante incentivos, mas o líder cristão nega as acusações. Ele afirma que apenas exerce sua fé – conforme o direito garantido no artigo 7, seção 4, da Constituição do Butão – e oferece um espaço para que outros cristãos participem de cultos.
Como não existem edifícios de igrejas oficialmente reconhecidos pelo Estado, muitas vezes, encontros de adoração são considerados ilegais. A situação enfrentada pelo pastor Rajen reflete os desafios vividos por cristãos em diferentes regiões do país, que frequentemente precisam se reunir de forma discreta para evitar problemas com as autoridades locais.
Ajude a igreja a permanecer firme no Butão
Cristãos em países como Butão e Nepal enfrentam pressão, discriminação e restrições para viver a fé. Sua contribuição ajuda a fortalecer projetos de apoio, treinamento e encorajamento à Igreja Perseguida para que permaneça firme na fé independentemente da pressão e discriminação.

