Haroji Wado, na fronteira oeste da Etiópia com o Sudão, é hoje um lugar onde escolher uma nova fé significa arriscar tudo.
Para Zamzam Addaamaa, de 18 anos, seu único crime foi amar Jesus. O simples ato de escolher sua fé transformou sua vida em uma luta pela sobrevivência.
“Nasci em uma família muçulmana devota em Haroji Wado”, disse ela. “Durante 18 anos, vivi de acordo com as orações e expectativas com as quais fui criada. No entanto, algo despertou em meu coração, uma convicção inabalável de que Cristo é real.”
Essa convicção a levou a tomar uma decisão que mudaria sua vida — uma decisão da qual ela jamais poderia se arrepender.
“Quando entreguei minha vida a Jesus”, disse ela, “nunca imaginei que isso me custaria a vida naquele mesmo dia.”
O que se seguiu foi uma rejeição imediata e severa. Não apenas por parte de sua família, mas de toda a sua comunidade.
“Quando minha família e comunidade descobriram minha conversão, minha casa se tornou um lugar de perigo”, disse ela. “Não fui apenas rejeitada, mas também expulsa. Fui jogada para fora e fiquei sem nada para me sustentar. Em muitas partes do leste da Etiópia, abandonar o Islã é visto como uma mudança de crença; é visto como uma traição passível de punição e, às vezes, de morte.”
Ser expulsa foi apenas o começo do sofrimento de Addaamaa. Por causa de sua conversão, ela se tornou um alvo.
“Agora vivo escondida na casa de outra pessoa”, disse ela. “Um esconderijo, não um lar. Não posso sair livremente. Não posso sair sem considerar o risco. Cada batida na porta pode ser de um vizinho, um parente ou alguém enviado para me machucar.”
Apesar dos perigos, Addaamaa sobrevive graças à compaixão de outros cristãos. Mesmo essa bondade traz riscos.
“Sobrevivo graças à bondade de estranhos”, disse ela. “Mas eles vivem com medo de serem descobertos enquanto me ajudam. Este esconderijo é um santuário temporário, mas a ameaça à minha vida é constante.”
A história de Addaamaa não é um caso isolado na Etiópia. Em todo o Chifre da Etiópia, cristãos convertidos de origem muçulmana enfrentam uma realidade brutal de rejeição familiar, violência comunitária e indiferença do Estado. As meninas são especialmente vulneráveis, sem ninguém para defendê-las; tornam-se alvos de espancamentos, isolamento ou até mesmo morte. Muitas fogem para cidades como Adis Abeba ou tentam travessias perigosas para o Sudão ou Quênia, apenas para enfrentar o tráfico e a exploração. Mesmo com tudo o que perdeu, a fé de Addaamaa permanece inabalável.
“Permaneço escondida, não porque eu queira, mas porque não tenho recursos para sair”, disse ela. “Perdi minha família, minha casa e minha segurança, mas não posso renunciar a Cristo.”
