Arqueólogos encontraram, em York, na Inglaterra, vestígios de um raro corante púrpura citado em passagens da Bíblia, usado em tecidos que envolviam bebês enterrados no período romano.
O que aconteceu
Análises químicas identificaram o chamado corante púrpura de Tiro. Ele foi encontrado em restos preservados em fragmentos têxteis de sepultamentos de bebês datados do fim do século 3, ou início do século 4 d.C., de acordo com reportagem do site americano Fox News.
O corante é mencionado em trechos da Bíblia. Ele é citado em Atos 16:14, quando fala sobre uma comerciante de tecidos, e em Marcos 15:17, quando Jesus é vestido de púrpura antes de ser detratado por seus captores.
Os arqueólogos se surpreenderam com dois sepultamentos. Um bebê foi colocado junto de dois adultos em um caixão de pedra, enquanto o outro foi enterrado em um caixão de chumbo.
A Universidade de York afirma que os bebês foram cobertos por um tecido tingido com a cor. “Os bebês foram envolvidos em um tecido fino de púrpura de Tiro, adornado com fio de ouro — um pano do mais alto status e luxo possível conhecido no mundo romano”, disse a instituição em comunicado.
O achado indica que as famílias tinham posição social elevada, já que a cor era reservada a imperadores e aristocratas. A universidade afirma que, no período romano, o corante podia valer até três vezes o preço do ouro.
Pesquisadores explicam que a preservation se deve ao gesso líquido utilizado em ritual funerário romano. A substância era despejada sobre os corpos vestidos. Ao endurecer, protegia impressões e fragmentos dos tecidos, além de resíduos de corantes e outras substâncias presentes nas fibras.
Por que o achado é raro?
Eboracum, fundada pelos romanos por volta de 71 d.C., revelou raro exemplos de púrpura tíria encontrados no Reino Unido.
A púrpura de Tiro era produzida a partir de moluscos, e exigia um processo trabalhoso, que encarecia o material. O corante era obtido ao esmagar conchas de moluscos do tipo murex, prática associada a itens de luxo no Império Romano.
A Universidade de York diz que esta é a primeira vez que vestígios do corante são identificados em restos têxteis romanos na cidade. Para a arqueóloga Maureen Carroll, diretora do projeto no Departamento de Arqueologia da instituição, o resultado confirma o acesso local a mercadorias caras, vindas de longe.
Pela primeira vez, temos a confirmação do uso desse corante caro na York romana, indicando que os habitantes ricos da cidade tinham acesso a mercadorias caras e exóticas vindas do outro lado do império.
A arqueóloga também relaciona o material de luxo ao cuidado com o ritual funerário das crianças. “Isso nos diz muito sobre a importância das crianças na York romana e a disposição da família de dar ao bebê a melhor despedida possível em circunstâncias trágicas”, afirmou.
York, chamada de Eboracum na época romana, começou como fortaleza militar. A cidade foi fundada por volta do ano 71 d.C., segundo os pesquisadores.
Fonte: UOL.
